Metalúrgicos fazem passeata e ameaçam fazer greve na Embraer
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segunda-feira, 14 de junho de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 15 (AE) - A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) poderá enfrentar uma greve nos próximos dias. O Sindicato dos Metalúrgicos promoveu hoje uma passeata com 700 funcionários da empresa em protesto contra os baixos salários e pretende iniciar paralisações parciais da linha de produção.
Segundo o diretor sindical Marco Antonio Ribeiro, a Embraer descarta a possibilidade de abrir negociações. "A empresa está numa situação confortável e pode atender nossos pedidos", salientou o dirigente da categoria.
O estado de greve foi aprovado pelos empregados da Embraer há uma semana. O sindicato pretende conseguir 4% de reposição da inflação e mais 5% de aumento real sobre os ganhos. Também é cobrada uma revisão no plano de carreira e a antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). No início do mês houve a primeira negociação entre as direções da Embraer e do sindicato, mas a empresa rejeitou o pedido dos trabalhadores.
Segundo a entidade de classe, em abril de 1995 a direção da companhia negociou com os funcionários uma redução de 10% sobre os salários. A medida estava dentro dos planos de saneamento da empresa, porém os valores subtraídos não foram repostos. Para Ribeiro, a Embraer deve recompensar seus empregados neste momento sem prejuízo para seu caixa. "Nós colaboramos com a Embraer, agora é o momento de haver a compensação", afirmou.
O sindicato fez um grande levantamento salarial no mercado internacional das indústrias do setor aeronáutico. O estudo mostra que os salários pagos no Brasil ocupam a antepenúltima posição no ranking dos piores, sendo superado apenas pela Índia e Romênia. O valor médio nacional é de US$ 4 00 por hora trabalhada, enquanto o Canadá paga aos seus operários do setor US$ 18,00 e a Alemanha lidera o segmento com US$ 23,00 horários.


