Metalúrgicos encerram greve na Ford Ipiranga
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 02 (AE) - Os 1,5 mil funcionários da Ford Ipiranga, que será fechada no fim do ano, decidiram hoje encerrar a greve que já durava 12 dias e aceitar proposta negociada entre a direção da empresa e a Força Sindical. Os empregados ganharam estabilidade no emprego por 12 meses - até 2 de agosto de 2000 - e vantagens para se desligar da empresa, segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Carlos Andreo Ortiz.
Além do pacote de demissões voluntárias, que está aberto há meses e prevê pagamento de 41,5% do salário por ano trabalhado na fábrica, eles poderão trocar a estabilidade de um ano negociada por seis salários, pagos de uma só vez. Os que não quiserem largar o emprego têm a chance de ser aproveitados em São Bernardo do Campo, para onde a fábrica do Ipiranga será transferida, muito provavelmente.
"Temos a garantia da empresa de que o pessoal do Ipiranga será transferido junto com a fábrica, mas não sabemos ainda quantos poderão ser aproveitados por causa da instabilidade do mercado", contou Ortiz.
Se a produção estiver baixa como hoje, no fim do ano a empresa continuará com 20% de seus empregados ociosos. Esses 300 excedentes já estão afastados há três meses e assim permanecerão até fevereiro, de acordo com ele, recebendo 90% dos salários. Assim, somente 80% do efetivo seria transferido, razão pela qual o sindicato optou por lutar pela melhora do pacote de demissões incentivadas.
A negociação entre o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, e o presidente da Ford, Antônio Maciel Neto, durou seis horas. Foi a terceira reunião oficial entre as partes nessas quase duas semanas de movimento. A montadora deixou de produzir 1,4 mil veículos no período, entre caminhões e picapes. Amanhã as linhas de montagem voltarão a ser ativadas.
Outra decisão dos sindicalistas e da empresa foi a de criar um grupo de estudos sobre a Ford Ipiranga. A empresa já informou que as chances de a planta continuar na atual localização são de apenas 20%, por conta do adensamento urbano nas imediações. Há 80% de possibilidade de a fábrica ser mesmo transferida para São Bernardo do Campo. "Vamos apostar nesses 20%", afirmou Ortiz. Participarão do grupo de estudos a Força Sindical, a CUT e o Dieese.


