São Bernardo do Campo, SP, 02 (AE) - Sindicalistas e a direção da Ford entraram hoje para negociar, num hotel em São Bernardo do Campo, com a certeza de que haveria acordo em torno da suspensão das 2,8 mil demissões da fábrica no ABC. A reunião começou pouco depois das 16 horas e até o início da noite não
A base do possível acordo é a abertura de um pacote de demissões voluntárias até o dia 18 para todo o efetivo, de cerca de 6 mil funcionários. Terminado o voluntariado, começaria a verdadeira negociação sobre a redução de custos com mão-de-obra na empresa, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho.
Dos 2,8 mil demitidos, mais de 400 já deixaram a empresa. Os que quiserem se desligar a partir de agora receberiam como incentivo indenização de 41,5% do salário por ano de casa e plano de saúde até abril. Todos os que receberam carta de demissão teriam garantido o salário de janeiro e possivelmente o de fevereiro.
A redução dos custos com pessoal passaria por uma série de iniciativas, segundo Marinho, de modo a propiciar que o máximo de excedentes continue nos quadros da empresa. O modelo desse segundo acordo já está sendo esboçado, mas o sindicalista ainda não revelou os detalhes. Pode ou não haver redução de salários, limitação de horas-extras, de adicionais, além de aumento do preço para o funcionário de benefícios como transporte e alimentação. Mas nada disso está confirmado.
O sidicalista disse acreditar que durante essa segunda negociação, que será mais complexa, o mercado se recupere. Isso porque já deverá estar vigorando a redução do IPI e do ICMS para veículos por três meses, prorrogáveis por mais três meses, e ainda o projeto de renovação da frota, com pagamento de bônus de até R$ 3,4 mil para quem quiser trocar carros com mais de 15 anos de uso por um novo.
O projeto está sendo estudado pela equipe econômica, mas Marinho recebeu a garantia do senador Antônio Carlos Magalhães de que o governo vai aceitar a idéia. "Acredito mais no ACM do que no presidente Fernando Henrique Cardoso", afirmou. Para Marinho haverá um novo impulso no mercado, capaz de segurar não apenas os empregos na Ford, mas em toda a cadeia automotiva, incluindo autopeças.
A assembléia de funcionários da Ford hoje decidiu por mais um dia de paralisação. Eles voltaram para suas casas e amanhã se apresentarão de novo na fábrica. Foi o 48º dia sem produção na empresa.

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