São Paulo, 04 (AE) - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, confirmou hoje que a reportagem publicada no "Financial Times" sobre a intenção da Ford de terceirizar a montagem de veículos na nova fábrica da Bahia foi desmentida por dirigentes da montadora. Segundo as informações que recebeu, na nova fábrica haverá mudança no conceito de produção utilizado hoje no ABC, mas muito menos drástica do que o publicado pelo jornal.
Na fábrica da Bahia, disse Marinho, os fornecedores estarão dentro do prédio, funcionando em sistema de condomínio, mas a montagem final ainda ficará a cargo dos funcionários da Ford. Marinho nega, contudo, que a fábrica baiana terá 2,5 mil funcionários diretos, como foi anunciado pelo vice-presidente da companhia para a América Latina, Ivan Fonseca e Silva. "Haverá, no máximo, 1,5 mil funcionários diretos."
O presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, lembrou que a Ford receberá do governo R$ 180 milhões por ano até 2010, na forma de incentivos fiscais, mais financiamento de R$ 700 milhões do BNDES. "Montadora hoje já cria pouco emprego, imagine então a que terceiriza tudo; não vai criar emprego nenhum", afirmou.
Se for verdadeira a notícia, a Força Sindical já tem uma proposta para a Ford: que terceirize a fábrica de caminhões em São Paulo, que será fechada no fim do ano, e não a da Bahia, que será erguida com dinheiro público. "A empresa poderia alugar o prédio e as máquinas e deixar a produção com uma cooperativa de metalúrgicos."

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