Metalúrgicos definem calandário de greves em montadoras de carros
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 14 (AE) - Os metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical definiram um calendário de paralisações em montadoras de veículos e grandes fabricantes de autopeças. O chamado "festival de greves" ocorrerá em todas as quintas-feiras deste mês e de outubro, a partir da próxima semana, cada vez num Estado, começando por Minas Gerais. As duas centrais enviarão reforços para garantir o sucesso do movimento em todas as localidades: ao todo serão 400 militantes e 20 caminhões de som, que se deslocarão pelos Estados no período, além de todas as principais lideranças. As paralisações deverão envolver ao todo 90 mil empregados de montadoras e uma parte dos 165 mil de autopeças.
A decisão foi tomada hoje, em encontro que reuniu cerca de 100 representantes de 20 sindicatos de metalúrgicos do País, na sede da CUT, em São Paulo. Os metalúrgicos reinvindicam um contrato nacional de trabalho que reduza as brutais diferenças salariais registradas nos últimos anos, com a instalação de montadoras fora de São Paulo, e promova reajuste geral de 10% nos salários. Além disso eles querem redução do tempo semanal de trabalho para 36 horas - os empregados trabalham hoje entre 44 horas e 40 horas, dependendo da localização.
Calendário - Dia 23 haverá greve na Volkswagen em Resende (RJ). Dia 30 a paralisação será em Minas Gerais, envolvendo a Fiat de Betim (MG) e a Mercedes-Benz de Juiz de Fora. No dia 7 de outubro será a vez de deflagração de greves em todas as montadoras e grandes autopeças do Estado de São Paulo, onde a maior parte das empresas mantém fábricas.
No dia 14, a greve migrará para o Paraná, onde estão as novas marcas: Renault, Audi e Chrysler. No dia 21 trabalhadores de Santa Catarina vão parar, em empresas de autopeças e de cabines para ônibus.
Finalmente, no dia 28, a greve acontecerá no Rio Grande do Sul. Se não houver acordo com as empresas, as greves começarão novamente, na mesma ordem, ou seja, a cada semana em um Estado.
O calendário de greves já está preocupando o governo, de acordo com o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Segundo contou o sindicalista, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, telefonou hoje pedindo a suspensão do "festival de greves". O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, contou que recebeu telefonema de Dornelles, com o mesmo apelo, no domingo.
"Acho que o governo está preocupado com a deflagração de greves num momento em que as pesquisas mostram baixa recorde da popularidade do presidente da República", avaliou Paulinho. Mas, segundo ele, "não dá mais para suspender o movimento porque a mobilização já começou." Paulinho disse que Dornelles prometeu procurar a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) para tentar abrir um canal de negociação. Mas os sindicalistas não acreditam nessa possibilidade, já que a entidade patronal, na apresentação da pauta, se recusou enfaticamente a discutir uma padronização salarial no setor. O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, chegou a acusar sindicalistas de tentarem promover uma "cartelização de salários".


