São Paulo, 13 (AE) - Todos os sindicatos de metalúrgicos do País, que têm montadoras de veículos ou empresas de autopeças em suas bases, decidirão amanhã, em plenária, as datas e as formas de paralisação no setor, para forçar as empresas a negociarem um contrato nacional de trabalho que unifique pisos salariais, jornadas de trabalho e garanta reposição de perdas salariais a todos os 83 mil empregados das indústrias de veículos e 165 mil das de autopeças, estimadas em 10%.
O movimento acabou ganhando o nome de "festival de greves" e segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Grana, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a idéia é confundir a produção, interferir no mercado e chamar atenção da opinião pública sobre o comportamento das várias marcas instaladas no Brasil em relação a seus trabalhadores.
Já existe consenso de que não haverá uma paralisação nacional única e que, para cada fábrica e localidade, a greve não terá um período previamente definido - pode durar um ou vários dias. Outro consenso: as principais lideranças e militantes, independentemente da central sindical, unirão forças com os sindicatos locais e viajarão para o Estado ou cidade escolhida no dia do movimento.
Os sindicalistas não aceitam o fato de os empregados das montadoras no ABC, por exemplo, receberem salário médio de R$ 1 5 mil, os da Fiat, em Minas Gerais receberem quase a metade disso - R$ 800 em média - e os da Volkswagen, em Resende (RJ), R$ 400. As distorções foram se acentuando nos últimos anos por conta da descentralização industrial, da guerra fiscal e de negociações por empresa, daí a luta por um contrato nacional.
"As montadoras de veículos são as únicas beneficiadas por essas distorções, já que a economia com o rebaixamento de salários não é repassada para o consumidor", afirmou o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Eleno José Bezerra, da Força Sindical.
Propostas - As propostas que serão discutidas amanhã são as seguintes: paralisações por Estado, por fábrica ou por marca. A avaliação de Bezerra e de Grana é de que em alguns Estados, como no Paraná, onde estão as novas fábricas de veículos (Renault, Chrysler e Audi), haverá dificuldades de mobilização. Também Minas Gerais deve ser um ponto fraco, já que a Fiat é a única montadora instalada em Betim, diferentemente do ABC, onde a concentração de marcas e fábricas facilita a mobilização.
"Vamos fechar o compromisso de todo mundo reforçar as paralisações nos locais onde há mais dificuldades, onde as empresas jogam mais duro e onde não existe ainda tradição de mobilização", afirmou Grana.
Quanto à afirmação do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos, José Carlos Pinheiro Neto, de "rever" os termos do acordo com o governo, de redução de impostos para carros em troca da garantia do nível de emprego no setor, caso houvesse greve, Bezerra afirmou que trata-se de uma "ameaça" infundada. "O governo só reduziu os impostos dos carros porque os trabalhadores pediram, ou seja, por causa do emprego", disse. "As montadoras não terão coragem de demitir porque perderiam o benefício no dia seguinte." A reunião será amanhã cedo, na sede da CUT, em São Paulo.

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