São Paulo, 24 (AE) - Mais de 50 mil metalúrgicos de montadoras de veículos aprovaram hoje, em assembléias em todo o País, a pauta de reivindicações da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical que exige a negociação de um contrato nacional de trabalho para o setor. A idéia é obter unificação de pisos salariais e reposição de perdas decorrentes da inflação, de modo tal que, gradualmente, sejam corrigidas as distorções nos ganhos e nos direitos da categoria, hoje sujeitos a profundas diferenças regionais por conta da descentralização industrial e da guerra fiscal. Trabalhadores de várias unidades da Volkswagen, Ford, General Motors, Mecerdes-Benz, Scania e outras paralisaram suas atividades por cerca de uma hora para realizar assembléias.
Caso os empresários rejeitem a proposta de um contrato nacional, os metalúrgicos realizarão greve no dia 14 de setembro. O tempo da paralisação não está definido - pode ser 24 horas ou prazo indeterminado. A entrega da pauta para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) e para o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), inicialmente marcada para amanhã, foi adiada por conta da agenda lotada dos sindicalistas da CUT, que estão preparando a Marcha dos 100 Mil marcada para quinta-feira, em Brasília. Possivelmente, a nova data de entrega do documento aos empresários será sexta-feira.
Em São Bernardo do Campo, assembléias à tarde também interromperam por uma hora o trabalho em grandes empresas de autopeças, como Metal Leve e Kostal. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Grana, informou que se houver fracasso nas negociações, dia 14 cruzarão os braços, além dos metalúrgicos das montadoras, os empregados dessas duas empresas e ainda da TRW, Cofap e Arteb, ou seja, as maiores do ramo de autopeças na região.
Ford - Também o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, recebeu a visita do novo presidente da Ford, Antônio Maciel Neto. Segundo eles, tratou-se de uma visita de cortesia, para que os dois dirigentes se conhecessem. Maciel informou a Marinho o interesse de continuar uma política de negociação permanente com o sindicato, e ainda que manterá investimentos no ABC, mesmo com a construção da nova fábrica na Bahia. São Bernardo, segundo Maciel, continuará com a produção do Ka, do Fiesta e, futuramente, segundo Marinho, de um carro médio - o nome do modelo não foi revelado.

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