São Paulo, 27 (AE) - Os metalúrgicos da Volkswagen receberão abono correspondente a cerca de 70% dos salários em novembro - em média, o ganho será de R$ 900,00 -, além do reajuste de 10,5% nos seus salários. A nova proposta da empresa foi aprovada hoje em assembléia que reuniu perto de 10 mil dos 18 mil empregados da fábrica de São Bernardo do Campo. Para compensar esta despesa extra, a montadora adiou de janeiro para julho de 2000 a prometida redução do tempo semanal de trabalho de 42 horas para 40 horas.
Ford e Scania já se comprometeram também a reajustar salários em 10%. O desafio para os metalúrgicos agora será a negociação com o setor de autopeças. "Esperamos obter um reajuste que reponha toda a inflação dos últimos 12 meses", afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho. Segundo ele, empresas que não concordarem em recompor o valor dos salários sofrerão greves.
O índice estimado de inflação (INPC) de novembro do ano passado a outubro deste ano gira em torno de 6%. Marinho espera conseguir reajuste de no mínimo 7%. "As montadoras tiveram de repor um índice maior porque não haviam pago a inflação de 1998", explicou o sindicalista. Para os empregados de autopeças
as perdas acumuladas são menores.
Protesto - Na sexta-feira, os metalúrgicos prometem realizar um protesto na Avenida Paulista, possivelmente na altura do prédio onde a Fiat mantém um escritório. A montadora, que tem fábrica em Betim (MG), ainda não definiu reajuste para seus empregados.
Tanto a General Motors quanto a Mercedes-Benz também não fixaram o valor do novo salário, mas estão negociando. A Mercedes reuniu-se hoje com representantes dos trabalhadores na sede da empresa, em São Bernardo, mas até o final da tarde a negociação ainda não havia terminado.

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