Londrina - Pesquisa feita pelo Ministério da Saúde (MS) com 53 mil pessoas nas capitais e no Distrito Federal em 2013 e divulgada ontem mostra que metade (50,8%) dos brasileiros acima de 18 anos está com excesso de peso, dos quais 17,5% são obesos. Embora o resultado seja preocupante, esta é a primeira vez, em oito anos, que os números permanecem estáveis.
Desde que o trabalho começou a ser feito, em 2006, a média anual de crescimento dessa população era de 1,6%. "É preciso aguardar os próximos anos para verificar se isso será uma tendência. Seja como for, é muito importante", afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Os homens representam 54,7% dos que têm excesso de peso, contra 47,4% de mulheres.
Os indicadores apresentados pelo Brasil de sobrepeso são maiores do que os registrados pela China (25,4%) e Índia (11%), mas significativamente menores do que os da Rússia (59,8%) e África do Sul (65,4%).
O secretário de Vigilância em Saúde do MS, Jarbas Barbosa, atribuiu a mudança, em parte, à melhora na alimentação dos brasileiros. O trabalho mostra que 23,6% dos entrevistados disseram comer pelo menos cinco porções de frutas e verduras por dia, em pelo menos cinco dias da semana. Em 2008, 20% afirmavam ter esse hábito.
Ele considera essencial, no entanto, a redução do consumo de leite integral. "Há ainda a falsa impressão de que o consumo do produto integral é mais nutritivo", comentou. Ano passado, 53,5% dos entrevistados disseram que consumiam leite integral. Outro ponto considerado preocupante é o hábito de brasileiros trocar o jantar por um lanche. Dos entrevistados, 16,5% dos brasileiros disseram manter essa prática.
A secretária Irene Ferreira, de 54 anos, relatou que costuma manter uma alimentação saudável com a ingestão de frutas e fibras. "A noite como um lanche, mas com ingredientes light, um iogurte e alguma fruta. Isso funciona bem durante a semana, já que sábado e domingo a gente acaba saindo um pouco da linha tomando um cerveja e comendo um churrasco."
Além da melhora na alimentação, Barbosa citou o aumento da frequência da atividade física como um dos fatores que podem explicar a estabilização dos números da obesidade e sobrepeso. Ano passado, 33,8% dos entrevistados disseram praticar atividade física. Embora em 2012 os porcentuais tenham sido muito parecidos (33,5%), Barbosa enxerga aí uma mudança importante. "Em 2009, o porcentual era de 30,8%. O fato é que a população hoje tem muito mais estímulo para praticar exercícios e se alimentar de forma adequada do que há dez anos."
O modelo Alan Kowalski, de 26 anos, pratica musculação há sete anos e garante que a qualidade de vida melhorou muito nesse período. "Eu tinha insônia e ansiedade excessiva, as atividades físicas me ajudaram bastante. Hoje tenho o sono mais controlado. Além disso, a musculação melhora a estética também", avaliou.
Para o personal trainer Bruno Gouvea, de 32, as pessoas hoje têm muita mais informação sobre os benefícios da atividade física e por isso a procura tem sido cada vez maior. "Os mais jovens ainda se preocupam mais com a estética, já os mais velhos querem melhorar a saúde e com isso aumentam a autoestima e se tornam mais dispostos no dia a dia."
De acordo com a pesquisa, São Paulo é a capital com menor porcentual de adultos que afirmam praticar atividade física no tempo livre (28%). Em primeiro lugar ficou Florianópolis, onde 44% dos entrevistados disseram praticar atividades físicas de forma regular.

FUMANTES
O levantamento do MS apontou também que o número de brasileiros fumantes caiu 28% nos últimos oito anos. No ano passado, 11,3% da população acima de 18 anos fumavam. Em 2006, o índice era de 15,7%. Os homens representam 14,4% do total e as mulheres, 8,6%.(Com Agências)

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