Rio - Metade das denúncias de violação dos Direitos Humanos na internet são sobre páginas que exibem pornografia infantil. O dado é da organização não governamental Safernet Brasil, que mantém um Cadastro Nacional de Denúncias de Violação dos Direitos Humanos na internet e foi anunciado ontem, em evento que celebrou o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Segundo a ONG, em 2009, das 133,6 mil denúncias recebidas pelo Cadastro, 70 mil apontavam sites que mantinham imagens de crianças e adolescentes fazendo sexo ou outras cenas obscenas envolvendo menores. Para o diretor de prevenção da Safernet, o psicólogo Rodrigo Nejm, o dado revela a importância do diálogo entre pais e filhos e alunos e professores. ''O ciberespaço não é uma terra sem lei. É um novo espaço público e nenhuma diferença de geração, ou dificuldade com a ferramenta, deve impedir que pais e educadores conversem com seus filhos'', disse Nejm, em palestra promovida pela ONG e pelos Ministérios Público e Federal, do Rio, a professores da rede privada e pública.
Fora da rede virtual, crimes sexuais contra menores também são denunciados. Em 2009, a ONG Disque-Denúncia, no Rio, registrou 866 denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes e 1.453 de abuso sexual. Para a coordenadora do núcleo de violência doméstica da ONG, Michelle Jorge, os dados mostram um aumento na mobilização da sociedade contra estes crimes. ''Não se pode dizer se foram os casos que aumentaram ou se as notificações é que estão mais frequentes, mas muito se crê na mudança de comportamento da sociedade de não se calar diante da questão''.
Segundo a coordenadora, também é cada vez mais comum ter meninos sofrendo abuso e exploração sexual. ''Sempre houve predominância de meninas (entre a vítimas), mas é cada vez mais comum termos notificações de meninos sofrendo abusos e tendo os direitos sexuais violados'', disse.

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