Meta para exportações é praticamente inatingível, diz CNI
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segunda-feira, 19 de julho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 20 (AE) - Atingir a meta de US$ 100 bilhões para as exportações até 2002 é praticamente impossível, por representar o dobro da cifra atual e implicar em crescimento da demanda internacional e também da produção brasileira. A opinião é do economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato Fonseca. Ele lembrou que desde 1997, quando se falou pela primeira vez em atingir esta meta, as exportações diminuíram.
"Em 1998, queda foi de 3% e, este ano, a previsão é que caia 1%", disse Fonseca. "Como as exportações atuais atingem US$ 50 bilhões, seria necessário um crescimento de 26% ao ano até 2002", explicou ele. "E nada indica que isso vá acontecer, pois nem tudo depende da gente."
Segundo Fonseca, seria preciso não só o mercado internacional aumentar sua capacidade de compra, mas o Brasil elevar sua participação neste mercado e fazer crescer a competitividade de sua produção.
O economista Fernando Ribeiro, da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), concorda com Fonseca, mas acha que a cifra de US$ 100 bilhões deve servir como objetivo tanto para o governo quanto para os produtores brasileiros.
Tal como Fonseca, Ribeiro lembra que nos últimos dois anos, a situação internacional não favoreceu as exportações brasileiras, tanto de manufaturados, quanto de produtos agrícolas. E, no caso das commodities (produtos primários), o preço caiu tanto que o aumento da quantidade vendida não representou crecimento em dólares.
Ribeiro comenta que o governo conta com reduções tarifárias nos países que importam do Brasil, com o reaquecimento da economia mundial e também com o efeito da desvalorização do real, "que não foi sentido até agora". Mas ele considera inviável fazer prognósticos, até mesmo os de curto e médio prazos. "Há quem acredite que os fatores negativos serão revertidos logo, mas há também os que prevêem a sua acentuação."
Competitividade - Já Fonseca, lembra que, além dos fatores externos, é preciso aumentar a competitividade da produção brasileira com a reforma tributária, que acabaria com os atuais impostos em cascata, e com o aumento de investimentos. "Mas tudo isso vem a longo prazo e não em tão pouco tempo", explicou Fonseca. "E, mesmo aumentando a produção, será preciso também atender ao mercado interno."
Dos US$ 50 bilhões que o Brasil exporta atualmente, 55% são de produtos manufaturados e o restante de agropecuários. "Há espaço para o crescimento das exportações de agropecuários, mas é preciso que os manufaturados cresçam mais", diz Ribeiro. "No caso das comodities, que podem ser ou não manufaturadas, é averiguar também a oferta internacional para saber quanto os preços podem variar."


