Brasília, 11 (AE) - A escolha de um índice de preços adequado para ser usado como meta inflacionária pelo Banco Central (BC) não está sendo das mais fáceis. Apesar da proliferação dos índices gerada no período de inflação alta, a autoridade monetária tem encontrado dificuldades para encontrar um que reúna alguns predicados elementares como o de ter abragência nacional, confiabilidade e compromisso com a manutenção de séries históricas. O índice calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é visto com reservas por fatores como o de ser um órgão governamental e o de não ter um calendário fixo de divulgação de suas taxas.
"Eles divulgam o índice quando o trabalho de coleta acaba. Não é como o da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica da Universidade de São Paulo) que tem datas fixas de divulgação", disse uma fonte da área econômica do governo ouvida pela Agência Estado. O cálculo do índice do IBGE, de acordo com esta fonte, ainda é ameaçado pelo risco de greves na instituição, que no passado já chegaram a comprometer a série histórica dos índices de preços do órgão responsável pela estatísticas do governo.
A crebilidade do IBGE junto a sociedade pelo fato de ser do governo também preocupa o BC na definição de um índice ideal para estabelecer a meta inflacionária. "As pessoas podem achar que o IBGE vai calcular uma inflação sempre abaixo da realmente verificada por pertencer ao governo", disse a fonte da área econômica do governo ao mesmo tempo em que ressalta que a inflação calculada pelo IBGE atualmente está muito próxima da encontrada por outros institutos de pesquisas de preços.
O IBGE, no entanto, tem em seu favor a abrangência de seu índice, que é calculado em 11 regiões metropolitanas. Os índices de preços ao consumidor feitos pela Fipe e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) não têm esta mesma abrangência, mas têm confiabilidade e uma boa série histórica, na opinião desta fonte ouvida pela Agência Estado "A Fipe só calcula a inflação de São Paulo. Então, se a prefeitura paulistana aumenta as tarifas de ônibus, a taxa será afetada", disse esta mesma fonte.
O índice da FGV é feito levando em conta o comportamento dos preços apenas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Apesar destas dúvidas, o BC espera bater o martelo nesta semana e definir qual o índice que será usado como meta inflacionária. Sabe-se, de antemão, que o BC trabalhará com um índice de preços ao consumidor e não de atacado. "Este é o índice que realmente interessa as pessoas", disse a fonte. Inflação - A meta inflacionária deverá ser definida fora do Banco Central. "É possível que esta decisão caiba ao Ministério da Fazenda ou ao presidente da República", admite a mesma fonte da área econômica do governo. No futuro, a idéia é que esta responsabilidade seja transferida para o parlamento como já é feito em países desenvolvidos como a Inglaterra.
A idéia inspirada no modelo inglês é que seja fixado um ponto central de meta inflacionária e se diga que ela só pode variar um percentual a ser definido tanto para cima como para baixo. "Na Inglaterra, admite-se que a inflação possa ficar em 2,5% ao ano e que não poderá variar 1% para cima ou para baixo"
comentou a fonte.

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