Brasília - O Plano Nacional de Reforma Agrária prevê o assentamento de 400 mil famílias ou mais de 1,5 milhão de pessoas e a concessão de crédito fundiário a outras 130 mil famílias até 2007, o final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro desafio, segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, que fez o anúncio, é ampliar de R$ 630 milhões para R$ 2,4 bilhões o orçamento para o setor em 2004. Tarefa que Rossetto considera viável, por se tratar de ''uma prioridade do governo Lula''.
O ministro sustentou, em entrevista, que os recursos para o plano estão assegurados. ''O dinheiro não será problema. Estamos diante de um momento de extrema importância para o País. O plano responde à demanda do País de construir uma reforma agrária qualificada'', afirmou. ''Seguramente vamos quadruplicar nosso orçamento'', disse, se referindo à previsão orçamentária de 2004 R$ 630 milhões. Valor suficiente para assentar apenas 30 mil famílias. Se o orçamento for quadruplicado como garante Rossetto, esse valor chegaria a R$ 2,5 bilhões, que daria para assentar 115 mil famílias.
''Há um posicionamento do presidente Lula e do conjunto do governo para assegurar esses recursos'', informou. ''O assunto foi amplamente debatido no governo, inclusive em todos os aspectos financeiros'', disse, numa referência ao aval do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
A expectativa do ministro é de que o plano reduza a violência no campo, que aumentou no último ano apesar da promessa de reforma agrária feita pelo governo. ''Com o plano, estamos seguros que produziremos um ambiente que vai gerar trabalho, dignidade, cidadania e paz. Também vamos organizar a agenda da produção e da renda'', afirmou.
O plano foi elaborado de forma coletiva, afirmou Rossetto, ao ressaltar a importância da participação de movimentos sociais e de sindicatos nas discussões para implementação das medidas. ''Ao elaborar o plano o governo está atendendo às reivindicações dos movimentos sociais. É resultado de um processo coletivo de construção que estamos produzindo há vários meses e que vem sendo aperfeiçoado.''
'Gordo' Lula reagiu com bom humor, fingindo irritação, à atitude de uma criança, filha de agricultores sem-terra. Ela queria ver o presidente da República. Se aproximou do bispo Tomás Balduíno e pediu: ''Quero ver o gordo''. O bispo, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), levou a garota ao palanque e anunciou, ao microfone, que ela queria ''ver o gordo''.
O presidente, ao subir ao palanque para discursar, brincou: ''Não posso me conformar que uma menininha desaforada, depois do sacrifício que estou fazendo para emagrecer, me chame de 'o gordo'. Não é possível. Se ela soubesse o quanto é difícil perder um quilo depois que a gente engorda, ela diria: 'O presidente está até magrinho.' Você, quando voltar para sua terra, vai ter de dizer: 'Eu encontrei o presidente Lula, e ele está tão magro que eu quase não o reconheci.''

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