Meta de US$ 11 bi depende de bancos estrangeiros, diz Pratini
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 09 (AE) - O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Marcos Vinícius Pratini de Morais, afirmou hoje, após audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que só vê possibilidade de se alcançar a meta de superávit de US$ 10 bilhões a US$ 11 bilhões, no período de março de 99 a março de 2000, e não durante todo este ano, como prevê o acordo com o Fundo Monetário Nacional (FMI). Ainda assim
ressaltou ele, o governo terá que restabelecer com os bancos estrangeiros as linhas de crédito internacional no valor de US$ 40 bilhões.
Segundo Pratini, na conversa, Fernando Henrique lhe garantiu que vai manter a isenção das exportações, prevista pela lei Kandir. Esta decisão, contraria a disposição dos governadores, que estão pressionando o governo para eliminar a lei Kandir nos Estados e recuperar receitas perdidas.
"O governo não vai mudar a política de imunidade tributária dos exportadores", declarou. "A não ser, talvez, naquilo que diga respeito à devolução para os Estados", ponderou ele, justificando que no mundo inteiro não se cobra imposto de produto exportado. Este tipo de taxação, para ele, representa uma "política burra".
Além do restabelecimento do crédito para as pequenas e médias empresas, Pratini, ex-ministro da Indústria e Comércio do governo Geisel, quer ainda que o turismo seja incrementado e que o País volte a construir navios, para que o frete seja feito em navios de bandeiras nacionais - hoje restrito a 2% do frete internacional. "Se não houver esse crédito e forem tomadas essas medidas, não vamos conseguir atingir metas de exportação fixadas junto ao FMI", ressaltou o ex-ministro.
Pratini disse que o presidente concorda com as suas proposições e quer ampliar as exportações brasileiras. Segundo ele, para cada bilhão de dólares que o País exporta, isso representa a abertura de 50 mil empregos. "É uma forma de reduzir a recessão", assegurou Pratini.
Projeções - A previsão do presidente da Associação de Comércio Exterior é de que as exportações cresçam 10% este ano, alcançando US$ 56 bilhões, e que as importações sejam reduzidas em 14%, 15% e talvez até um pouco mais. Com isso, o superávit, este ano, será de apenas US$ 6 bilhões, US$ 5 bilhões a menos do previsto no acordo com o FMI.


