Meta de iguaçuenses é o Aconcágua
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de março de 1998
Mônica Venson Especial para a Folha 
Ney de SouzaFábio Teixeira, um dos integrantes da expedição iguaçuenseSuperar a neve, a altura e conquistar o Pico do Aconcágua (6.959 metros), divisa de Argentina com Chile, é o sonho de quatro rapazes de Foz do Iguaçu. Fábio Teixeira, inspetor de produção, 23 anos; Luciano Tecchio Dias, instrutor de informática, 18 anos; Paulo Everardo Gamarro, engenheiro hidrólogo, 30 anos, e Sérgio Mousquer, técnico em edificações, 26 anos, pretendem estar no Teto das Américas em dezembro deste ano.
A preparação para a aventura já começou. Escaladas em montanhas do Brasil e América Latina, cursos realizados junto a Associação de Escalada de Foz do Iguaçu, estudos sobre a rota a ser utilizada, alimentação, equipamentos e condições climáticas já fazem parte dos preparativos.
O preparo físico é outra peça fundamental para a expedição. Para enfrentar os quase 7 mil metros de subida na neve, os rapazes treinam em média duas horas por dia. Além da subida, os quatro ainda vão carregar 300 kg de equipamentos, que na maior parte do trajeto é levado nas costas.
Eles pretendem escalar a Via Nordeste ou Via da Conquista do Aconcágua. Essa rota não é considerada a mais técnica, mas foi a primeira a ser conquistada. Segundo eles a maior dificuldade é a aclimatação. Lá eles vão encontrar um frio de 40º C negativos, muita neve e tempestades com ventos de 160 km/h. Todo o treinamento é direcionado para que o corpo desenvolva resistência.
A alimentação é outro problema. A escolhida foi a comida desidratada por ser mais leve, fácil de preparar e ocupar menos espaço. Teixeira e Mousquer tiveram uma experiência desagradável em dezembro do ano passado quando escalaram o Cerro Tronador, na Argentina. Eles deixaram para comprar tudo naquele país e acabaram não encontrando o que precisavam. O resultado foi uma alimentação pouco adequada para enfrentar a escalada de mais de 3 mil metros de altura. O desafio da aventura é tão grande quanto a satisfação de chegar ao cume da montanha e um pouco menor do que voltar vivo de lá. Teixeira afirma que menos da metade das expedições chegam ao cume e muitas acabam nem voltando.
Ele diz que a tragédia de janeiro deste ano com a expedição de Mozart Catão, um dos mais experientes alpinistas do País e o primeiro brasileiro a escalar o Monte Everest, em nada vai afetar os iguaçuenses. Catão e mais dois alpinistas, Otho Leonardos e Alexandre de Oliveira, morreram quando faltavam 800 metros para chegar ao pico do Aconcágua. Teixeira acredita que o que aconteceu foi falta de prudência da expedição, que mesmo avisada dos riscos de avalanche resolveu prosseguir.


