A mesquita de Foz do Iguaçu começa a abrir as portas para a população e quer acabar com os preconceitos contra o povo árabe. ‘‘No Brasil, nós somos sinônimo de terrorista’’, diz Ale Ghazzaoui, secretário da mesquita. O primeiro passo foi dado com convites às escolas da cidade.
O resultado é que o movimento aumentou e pelo menos três escolas por semana estão visitando o templo dos muçulmanos. As visitas podem ser feitas de segunda a sábado, das 8 às 18 horas.
Para Ghazzaoui, libanês que vive no País desde os oito anos, a abertura é uma forma de aproximar o islamismo da comunidade não-árabe. ‘‘Não existe religião oficial no Brasil e nada impede de difundirmos o islamismo, inclusive entre os brasileiros.’’
Ao chegar à mesquita, seguindo um ritual, o visitante deixa o sapato na entrada do templo. Descalço, pisando sobre um macio carpete, ele pode conhecer um local amplo, mas sem o requinte e os tradicionais bancos das igrejas católicas. O que mais chama a atenção são as paredes e os quadros com os versículos do Alcorão - livro sagrado do muçulmanos, que na tradução para o português tem 759 páginas.
Ao conhecer a mesquita, os alunos entram em contato com uma cultura desconhecida. Eles ouvem explicações sobre a religião islâmica, ficam sabendo onde o sheik (o equivalente a sacerdote) reza o seu sermão e vislumbram uma fenda na construção que é ponto de referência em direção a Meca, cidade da Arábia Saudita considerada sagrada pelos muçulmanos.
Na parte externa, o visitante pode observar duas torres (de aproximadamente 15 metros) que completam a arquitetura típica. Hoje meramente decorativas, eram nas torres que, nos primórdios da religião, o sheik subia no ponto mais alto e cantava os versos chamando os fiéis para celebração.
Inaugurada em 1983, com a ajuda de donativos vindos do Oriente Médio, a mesquita pode abrigar 500 pessoas. O templo tem 600 metros quadradose está construído numa área de 20 mil metros quadrados. No local, também funciona uma escola de educação árabe para crianças.
Serviço:
Mesquita de Foz do Iguaçu
Endereço: Rua Palestina, s/n, Jardim Central
Horário de visitas: De segunda-feira a sábado, das 8h às 18h
(045) 573-1126Ney de SouzaVisita é permitida de segunda a sábado, das 8 às 18 horas: aproximação do islamismo dos não-árabesJosé Russo
Especial para a Folha

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