Mesmo sem partido, Itamar quer influenciar eleições municipais
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 27 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco, considera pouco provável sua volta ao PMDB depois da convenção extraordinária prevista para janeiro. "O PMDB hoje é um arremedo do PMDB de quando surgiu", afirmou, numa alusão à participação do partido no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Além de não considerar a possibilidade de retorno à legenda da qual desfiliou-se no dia 21, o governador mineiro também descarta - pelo menos por enquanto - a opção de ingressar em outro partido. Mas avisa: mesmo sem partido, vai trabalhar pelas eleições municipais de 2000 e as presidenciais de 2002.
"O cidadão que governa o País disse ontem (26) que não vai ficar de braços cruzados em 2002", disse. "Então vou seguir o seu exemplo." Itamar quer fazer alianças com nomes progressistas de centro e com as esquerdas - PT e PSB especialmente, os partidos com qual alega ter mais afinidades. Em sua avaliação, em pelos menos 80 cidades mineiras a questão nacional vai influenciar nas eleições municipais. O objetivo é solidificar nessas cidades um base de combate ao governo federal.
"O PMDB vai ter problemas nas eleições municipais", analisou Itamar. Segundo ele, o partido tem hoje duas partes: a militância, que não quer o apoio ao governo federal, e os aliados aos ministros, que vivem de favores pessoais e localizados. "Saí com tristeza porque tenho muito respeito à militância", ressaltou. "Mas saí na hora certa." A partir de janeiro, o governador mineiro se reunirá com as lideranças estaduais para estabelecer sua nova base de apoio. É certo que o PMDB perderá espaço na reforma do secretariado que está prevista para depois do dia 30 de janeiro.
Além das lideranças estaduais, Itamar terá encontros com os nomes nacionais. O primeiro deles será com o presidente do PT, José Dirceu, no dia 10. "É só um encontro fraternal", frisou ele, para evitar melindres com o PT regional. "Estou vivendo muito bem com o PT e não quero começar a brigar agora."


