Mesmo se não for extraditado, Pinochet pode ser julgado na GB
Londres, 08 (AE-REUTERS) - Ainda que o secretário de Interior britânico, Jack Straw, se recuse a autorizar a extradição do ex- ditador chileno Augusto Pinochet para a Espanha, ele poderá ser processado e julgado na Grã-Bretanha mesmo, informaram hoje (08) fontes do Serviço de Promotoria da Coroa, que atua como representante do ministério público.
"Seria possível a abertura de uma causa (contra Pinochet) neste país", afirmou , em Londres, uma porta-voz do órgão, ressaltando que, para isso, seria necessário que o procurador-geral da Grã- Bretanha, John Morris, acolhesse a ação judicial.
Morris recusou, no ano passado, por falta de respaldo jurídico, uma causa privada contra Pinochet pelo desparecimento de um empresário britânico no Chile em 1975. Mas, ante a decisão emitida no dia 24 pela Câmara dos Lordes, ratificando o foro internacional para julgar Pinochet por delitos cometidos depois de 1988 - quando foi firmada uma convenção internacional para punir crimes de tortura -, a posição do procurador-geral pode mudar.
A mesma decisão dos lordes juízes, contudo, reduziu drasticamente o número de casos pelos quais o juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón pedira à Grã-Bretanha a extradição do ex-ditador.
Para evitar o enfraquecimento da petição, Garzón acrescentou ao processo, nos últimos dias, outros 40 casos de tortura e violação de direitos humanos supostamente cometidos após 1988.
Straw, que em dezembro autorizou a abertura do processo de extradição, deve pronunciar-se novamente, agora à luz do novo veredicto da Câmara dos Lordes. O prazo para que anuncie sua decisão se encerra na próxima quinta-feira.





