Rio de Janeiro - Sem a participação dos filhos mais velhos do casal norte-americano Todd e Michelle Staheli, a reprodução simulada do duplo assassinato, ontem, na casa da família, na Barra da Tijuca, não cumpriu seu objetivo: tirar dúvidas importantes da polícia e verificar pontos contraditórios dos depoimentos. Apenas ontem, 11 dias depois do ataque, a perícia decidiu examinar uma enxada e uma foice que podem ter sido usadas para matar os Staheli.
Prevista para durar até quatro horas, a reconstituição levou apenas duas. A ausência dos filhos, W., 13 anos, e L., 10, os primeiros a chegar à cena do crime, não inviabilizou o trabalho, mas o prejudicou muito, disse o delegado Carlos Henrique Machado, da Delegacia de Homicídios. Ele coordenou a simulação junto com Marcos Henrique Alves, delegado da Barra.
Segundo Machado, ainda é preciso esclarecer a que horas W. foi dormir na noite anterior ao crime, sábado, 29. O horário em que Todd e Michelle sofreram as agressões permanece um mistério. A polícia quer saber também a localização exata deles na cama o corpo de Todd pode ter sido empurrado acidentalmente pelos bombeiros que socorreram Michelle. Apenas os filhos poderiam indicar como os pais foram encontrados.
Não se sabe como o assassino entrou na casa, pois as hipóteses de arrombamento e escalada dos muros foram afastadas. Há dúvida também em relação às ações dos filhos na manhã de domingo. O chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, disse que é importante saber se a filha de três anos tem altura suficiente para abrir a porta do quarto dos pais (ela foi dormir lá de madrugada), qual foi o telefone usado por W. para pedir socorro e se as portas estavam abertas quando ela solicitou ajuda, entre outras informações.
Para o diretor da Polícia Técnica, Roger Ancillotti, o assassino ''nunca saiu da casa ou é ultraprofissional''. Ele afirmou que os agentes do FBI podem ajudar na elucidação do crime. ''Eles sabem exatamente o jeito americano de viver e podem traçar o perfil do provável agressor.''
Das dez pessoas chamadas pela polícia, só os cinco seguranças do condomínio Porto dos Cabritos e o motorista dos Staheli, Sebastião Moura, participaram da reconstituição. Eles estiveram na casa na manhã de domingo, depois que Todd e Michelle foram encontrados feridos pelos filhos. Também convocados, o casal norte-americano Jeffrey e Carolyn Turner, chamados por W. na manhã do crime, não apareceu, pois está nos Estados Unidos.
Mesmo depois do início do trabalho, os dois filhos mais velhos do casal eram aguardados na casa. Os policiais chegaram a lavar o quarto dos Staheli, bastante sujo de sangue, para poupá-los. Mas o advogado da família Staheli, João Mestieri, já havia avisado que as crianças não iriam. Ele entende que W. e L. já contribuíram com a investigação quando relataram o que sabem aos agentes do FBI. Além disso, afirmou, os parentes americanos querem preservá-los.
A reconstituição, iniciada às 10 horas e finalizada por volta do meio-dia, foi acompanhada por peritos. Dois policiais, um homem e uma mulher, fizeram os papéis dos Staheli. Outros dois, os de Jeffrey e Carolyn. As crianças não foram representadas. Jornalistas do Brasil e dos Estados Unidos não puderam passar da entrada do condomínio. Embora tenha afirmado que imagens da reconstituição seriam divulgadas, a Secretaria de Segurança Pública decidiu, no fim da tarde, que nada seria repassado à imprensa.

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