Mesmo após acordo, estudantes desocupam maior colégio do PR
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sábado, 29 de outubro de 2016
Mariana Franco Ramos <br> Reportagem Local 
Curitiba - Os alunos que ocupam o Colégio Estadual do Paraná (CEP) devem deixar o prédio da instituição espontaneamente até as 16h30 deste sábado (29). A decisão foi tomada em uma assembleia estudantil na noite de ontem e informada à imprensa já nesta madrugada. O grupo rejeitou o acordo costurado no Ministério Público (MP), de adiar a reintegração de posse do CEP por dez dias, em troca da desocupação das outras 24 escolas de Curitiba com pedidos expedidos pela Justiça, por considerar que ele não respeita a "horizontalidade do movimento".
Conforme os adolescentes e jovens, a proposta apresentada no MP durante a tarde de sexta-feira (28), com a presença de membros do governo do Estado e da Defensoria Pública, ofende o protagonismo dos demais estabelecimentos de ensino. "Não podemos concordar em manter a nossa ocupação em detrimento das de nossos companheiros", disseram. Os estudantes fizeram um pronunciamento em frente ao CEP e responderam a algumas perguntas de jornalistas. Entretanto, preferiram não informar os nomes de quem falava, também por se tratar de uma decisão coletiva.
"Nós não queremos ser protagonistas. A gente não vai ficar com o nome principal. Todos os colégios que estão ocupados são principais, no sentido de que todo mundo tem representatividade e a gente não vai ficar por cima de ninguém", afirmou uma das alunas. "Vai ser para fortificar o movimento. A gente só vai aumentar. Se pensam que a gente vai ficar derrotado, é aquilo que eu disse: a gente só vai sair mais forte", completou outro estudante. Em nota, o "Ocupa CEP" reiterou que "a luta nunca acaba; ela assume outras formas".
Maior colégio do Estado, com mais de cinco mil estudantes, o CEP está tomado desde o dia 7 de outubro. Logo após o término da reunião, representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) receberam uma cópia da ata e se comprometeram a levá-la ao plantão judiciário na mesma hora. Além deles, estavam presentes na escola conselheiros tutelares e alguns pais que apoiam a "Primavera Secundarista". Os alunos encerraram a entrevista aos gritos de "ocupar e resistir".
DESPACHO - O documento que autoriza as desocupações foi assinado pela juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonse e divulgado na quinta-feira (27). Ela solicita que os alunos deixem as escolas em até 24 horas e de forma voluntária, sob pena de arcar com multa diária de R$ 10 mil. A magistrada afirmou que, neste caso, será pedido o reforço da Polícia Militar (PM) para cumprir a ordem. A decisão diz ainda que os secundaristas terão 15 dias para contestar a liminar. No CEP, o ofício foi entregue às 16h30 de sexta-feira.
Em nota, a PM informou que todo o processo aconteceria pela via da negociação pacífica. Mas que, "em havendo resistência" e "após esgotadas todas as vias de negociação", poderia haver uso da força, mediante ainda determinação expressa do comandante-geral. A corporação garantiu que envolveria todos os atores com responsabilidade no caso, "considerando a visão sistêmica, a proteção das crianças e adolescentes, conselho tutelar, pais dos alunos, por meio da Associação de Pais e Mestres, e administração escolar".
Conforme a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), já são 1.177 as ocupações em todo o País. Desse número, 1.065 são escolas e institutos federais (IFs), 102 são universidades e três são Núcleos Regionais de Educação (NRE).
Os estudantes protestam contra a proposta de reforma do ensino médio, com flexibilização de currículo, apresentada pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP) via medida provisória. O Paraná concentra em torno de 90% das instituições tomadas - 843 escolas e cinco institutos federais, segundo o balanço mais atualizado.


