São Paulo, 23 (AE) - A liquidação das empresas financeiras ligadas ao Crefisul, controlado pelo empresário Ricardo Mansur, deverá respingar nos negócios do Mappin e da Mesbla, duas das principais cadeias varejistas do País. Mansur também é o maior acionista das duas redes. Hoje ele se reuniu com os advogados do grupo, enquanto aguardava a chegada do liquidante do Banco Central e divulgou comunicado oficial: "As dificuldades destas instituições coincidem com as dificuldades da economia nacional e foram agravadas sobremaneira por uma irresponsável e maldosa onda de boatos que atingiu as empresas não financeiras do grupo."
Não se trata apenas de onda de boatos, como diz o empresário. A situação do Mappin e da Mesbla está cada vez mais complicada, principalmente pelo endividamento com fornecedores.
O empresário, em entrevista em fevereiro, disse que pagaria suas dívidas dentro de 90 dias. Embora não tenha decorrido o prazo estabelecido, já que a negociação vem sendo feita diariamente, ele tem deixado de pagar títulos em dia, o que vem provocando uma corrida dos credores aos cartórios de protestos. Alguns deles têm entrado com pedido de falência das redes Mappin e Mesbla.
Ontem, a Rexcel Comércio Exterior entrou no 4° Cartório de Ofício em Barueri, na Grande São Paulo, com pedido de falência contra o Mappin, por uma dívida de R$ 40 mil. Foi o suficiente para a Bolsa de Valores de São Paulo suspender a negociação das ações nos pregões de segunda-feira.
Hoje o Mappin fez acerto da dívida com a Rexcel, embora suas ações continuassem suspensas. No Rio, as ações da Mesbla também não foram negociadas. O motivo dos pedidos de falência da Mesbla não tem sido muito diferente do que ocorre com o Mappin em São Paulo.
Para ganhar tempo, as redes Mappin e Mesbla têm utilizado com frequência o expediente de liquidar em cartório suas dívidas, obtendo assim maior prazo para efetuar pagamentos aos fornecedores. Mansur costuma dizer que pequenas quantias têm entrado no bolo de pagamento diário e o sistema informatizado pode ter problemas e bloqueá-lo.
O salto de Mansur de 1992 para cá foi observado por todo o mercado. Até essa época, ele operava uma rede de franquia da Pizza Hut - e ainda dividia com seu irmão, Roberto, os negócios de laticínios -, que foi vendida para a dona dos negócios, a Pepsico. Depois em 96, incorporou o Banco Antonio de Queiroz, utilizando recursos do Proer, e o Mappin, pelo qual pagou R$ 25 milhões para a empresária Cosette Alves. Depois disso, foi processado por acionistas minoritários do Mappin, como o banco JP Morgan e Abram Szajman, que não aceitaram os valores oferecidos por suas ações.
Mesmo antes de ter consolidado a compra do Mappin, o empresário adquiriu a Mesbla, em 98, com prazo de pagamento de 15 anos sem juros nem correção monetária. Nesse meio tempo, os mesmos fornecedores que hoje têm procurado vender mercadorias para o Mappin, desde que ele pague à vista, quase empurraram para o empresário a rede Arapuã - em concordata. Todos acreditavam que houvesse por trás de Mansur o apoio do Bradesco. Pela derrocada do Crefisul, pôde-se perceber que o apoio do grande banco não é total.

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