Brasília, 29 (AE) - A Mesa Diretora da Câmara decidiu hoje que vai propor a perda temporária do mandato, por 30 dias, do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), por quebra do decoro parlamentar.
A decisão da Mesa deverá ser levada ao plenário, contudo
apenas depois do recesso parlamentar e serão necessários os votos de maioria simples do plenário - tendo quórum de 257 deputados, é necessário que metade mais um vote a favor.
Há um mês, o deputado fez declarações polêmicas ao programa "Câmara Aberta", apresentação independente veiculada nas madrugadas de domingo na Rede Bandeirantes de Televisão, sugerindo o fechamento do Congresso e afirmando que, no período da ditadura, deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, "a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso". No dia seguinte, o deputado teria enviado à Mesa uma carta pedindo desculpas. Só que, há 15 dias, Bolsonaro enviou uma carta à Mesa afirmando que a assinatura na carta de desculpas era falsa.
"Eu não enviei a tal carta de desculpas e tenho liberdade, pela Constituição, de falar o que quero", disse o deputado. Segundo o parlamentar, na semana em que foi enviada a carta, ele sequer estava no Rio. "Até perdi R$ 1,5 mil por ter faltado durante a semana", contou. Se o mandato do deputado for suspenso, ele também não receberá o salário do mês.
O deputado, que é capitão de reserva do Exército e é conhecido por defender posições radicais como a legalização da pena de morte, não negou nenhuma das declarações à televisão. Segundo o parlamentar, as declarações estão "protegidas" pela imunidade parlamentar, no Artigo 53 da Constituição, onde se fala que os deputados e senadores são invioláveis pelas opiniões
palavras e votos

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