Maceió, 08 (AE) - Os parlamentares da CPI do Narcotráfico acreditam ter encontrado uma prova que liga o deputado Augusto Farias (PPB-AL) ao crime organizado. Em novo depoimento à CPI, o caminhoneiro Jorge Meres acusou um ex-segurança de Paulo César Farias de ter liberado duas carretas roubadas em Alagoas, que depois foram trocadas por armas na Bolívia. Com a morte de PC Farias, disse Meres, o segurança passou a trabalhar para Augusto Farias, que, segundo o caminhoneiro, faz parte do crime organizado. Jorge Meres ajudou a CPI a chegar à quadrilha que atuava em Campinas.
Ele disse aos deputados que antes de PC morrer, em 1996, ajudou a transportar duas carretas roubadas, que estavam em Arapiraca (AL), a 128 quilômetros de Maceió. As carretas foram levadas para Cáceres (MT), onde foram trocadas por armas que tinham vindo da Bolívia.
O caminhoneiro disse ter sido orientado pela quadrilha a procurar em Maceió o então segurança de PC Farias, um homem moreno e forte. Segundo contou, ao entrar em contato com o segurança, ele ligou imediatamente para um despachante em Arapiraca, de nome Genivaldo, que teria influência dentro de vários departamentos de trânsito da região.
Meres foi a Arapiraca e as duas carretas foram liberadas por Genivaldo, já com os documentos adulterados. Meres disse que um funcionário da Polícia Rodoviária Federal ajudou a liberar as carretas, a partir de telefonema do segurança.
No depoimento, Meres forneceu à CPI do Narcotráfico alguns números de telefones, todos de Maceió. A CPI vai pedir a quebra do sigilo de todas as pessoas envolvidas. Os deputados, por enquanto, preferem manter o nome do segurança em sigilo.
Segundo parlamentares da CPI, a história contada por Meres pode ajudar a explicar a defesa que Augusto Farias fez dos ex-seguranças do irmão, PC Farias. Augusto descartava a hipótese de os seguranças de PC terem algum envolvimento com a morte do irmão. Augusto nunca aceitou outra versão que não fosse a de crime passional. O deputado alagoano já tinha sido apontado por Meres como integrante da quadrilha do empresário Willian Sozza, de Campinas, que está foragido, do ex-deputado Hildebrando Pascoal, do Acre, que está preso, e do ex-deputado José Gerardo (MA), também preso.
A CPI está cruzando as informações repassadas por Jorge Meres com tudo que foi investigado a respeito de José Gerardo, que seria o braço da quadrilha responsável pelos caminhões roubados. Os parlamentares acreditam que o próprio José Gerardo possa ter sido o responsável pela negociação da troca das duas carretas por armas.
Hoje, os parlamentares tiveram uma reunião preliminar com o secretário da Segurança de Alagoas, Edmilson Miranda, e com o superintendente da Polícia Federal, Bergson Toledo, quando foi discutida uma forma de ação conjunta no Estado.
Testemunhas - Os deputados da CPI colhem amanhã (09) informações da Polícia Federal, Polícia Civil e Tribunal de Justiça. Serão ouvidos o presidente do TJ, Orlando Manso, e o procurador Delson Lira da Fonseca.
Na sexta-feira (10), a CPI vai ouvir os juízes Severino Brito e Daniel Accioly, ambos de Arapiraca. Serão ainda ouvidos o superintendente da Polícia Federal, Bergson Toledo, o pistoleiro Maurício Guedes, conhecido como Chapéu de Couro. O ex-tenente-coronel da PM Manoel Cavalcante, líder da chamada gangue fardada, estaria disposto a falar tudo o que sabe.
Talvane - A CPI decidiu ouvir o ex-deputado Talvane Albuquerque hoje à noite. Ele foi preso por envolvimento no assassinato da deputada Ceci Cunha. O legista Georges Sanguinetti, que contestou laudo do legista Badan Palhares sobre a morte de PC Farias e Suzana Marcolino, deverá ser ouvido entre amanhã (09) e sexta-feira (10).
O deputado Robson Tuma (PFL-SP) disse hoje haver indícios de ligação da máfia italiana com o crime organizado em Alagoas. A CPI está investigando a participação da família Farias nesse suposto esquema.

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