Merenda é carente em nutrientes
Marcos Zanatta
De Maringá
A Secretaria de Educação de Maringá pretende complementar o índice nutricional da merenda escolar na cidade, mas esbarra no valor repassado pelo governo e a falta de recursos do município. Atualmente, o Ministério da Educação repassa R$ 1,30 por refeição, que deveria ter 350 calorias e nove gramas de proteína. No entanto, nem sempre isso acontece.
Com apenas mais R$ 0,05 garantiríamos as vitaminas, o ferro e o cálcio que a criança necessita no período em que está na escola, afirma a nutricionista da prefeitura, Maria Aparecida Ferrarini de Paula. Ela é responsável pelo cardápio das escolas de Maringá e autora de um estudo sobre a situação da merenda escolar na cidade.
A proposta do programa é suprir 15% das necessidades das crianças, na média de 6 a 15 anos de idade, durante as quatro horas que permanecem na escola. Em muitos casos a merenda escolar é a principal refeição do aluno. Principalmente nas escolas da periferia, diz Maria Aparecida. Por isso, nossa proposta de acrescentar mais nutrientes na alimentação servida na escola, defende.
O estudo de Maria Aparecida foi apresentado como monografia de pós-graduação em gerência de unidades de alimentação e nutrição, na Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Ela revelou que para elaborar o trabalho acompanhou a merenda distribuída em 124 escolas de Maringá, que servem em média 48 mil refeições por dia. Após a análise de 10 cardápios ofertados durante 54 dias letivos, constatamos que a alimentação é inadequada em relação aos micronutrientes, disse.
Falta cálcio, ferro, vitamina A e C, e também calorias e proteínas, que são previstas pelo ministério. Propomos 10 cardápios contendo todos os nutrientes que considero essencial, com um custo de R$ 0,05 a mais em cada refeição, explica. Mas não existe de onde tirar o dinheiro, lamenta.
A criança na fase escolar, segundo Maria Aparecida, necessita de pelo menos 350 calorias e nove gramas de proteínas no horário que está em atividade. Na escola a criança gasta muita energia, e precisa repor, diz. Mas para garantir a saúde da fase de crescimento, explica, seria preciso um cardápio mais reforçado. Também porque a refeição da escola é muito importante para muitos alunos, lembra. Ela conta que em algumas escolas da periferia, os pais e a própria comunidade pedem para que a merenda seja mantida nas férias. Não tem como porque o dinheiro não é repassado, afirma.
Outra constatação da falta de alguns nutrientes na alimentação das crianças, explica Maria Aparecida, é que o índice de estudantes gripados ou com anemia é alto em algumas regiões da cidade. Normalmente, os pais ganham o suficiente apenas para garantir o básico, que não inclui alimentos ricos em cálcio, vitaminas e os nutrientes mínimos, constatou.Nutricionista diz que programa que deveria suprir 15% das necessidades das crianças durante as aulas não cumpre meta
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