Mercosuline vai encomendar dois navios a estaleiros brasileiros
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domingo, 19 de março de 2000
Por Gustavo Paul 
Brasília, 20 (AE) - A empresa de armação Oceânica AGW (Mercosuline) vai apresentar amanhã ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, um plano de encomenda para construção de dois navios por estaleiros brasileiros. Só assim o ministro vai autorizar a importação de outros dois navios pela empresa, como havia sido anunciado em fevereiro. "Nossa política de incentivo à indústria naval do País está dando seus primeiros resultados"
afirmou hoje o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Segundo o ministro, os empresários garantiram que não pretendem pedir dinheiro do Fundo de Marinha Mercante para bancar a construção dos navios. "Eles vão utilizar recursos próprios", afirmou Padilha. A Ocêanica AGW foi legalmente adquirida pela empresa P&O Nedlloyd do Brasil Navegação Ltda, e segundo o Ministério dos Transportes trata-se de uma empresa 100% brasileira.
Em fevereiro, o Ministério anunciou restrições à importação de navios, dentro da política de estimular a indústria naval do País. Segundo o ministro Eliseu Padilha, qualquer empresa só poderá importar uma embarcação se fizer uma encomenda semelhante para um estaleiro brasileiro. Na ocasião, com a medida, o governo voltou atrás e suspendeu, ainda que temporariamente, a importação já autorizada de dois navios.
No dia 11 de fevereiro, uma nota distribuída pela assessoria de comunicação do ministério afirmava que todo o processo de importação dos navios (de 19 mil toneladas cada e capacidade para 900 contêineres) já havia sido realizado e era legal.
Ao anunciar a nova política, o ministro afirmou que o processo ainda está tramitando dentro do governo e não havia sido definida a importação. Ele explicou que a operação ainda precisa da aprovação do Ministério do Desenvolvimento. Segundo o ministro, a autorização para compra dos dois navios no exterior, dada em 7 de fevereiro, foi de responsabilidade apenas do Departamento de Marinha Mercante do Ministério.
Os empresários do setor naval pressionaram o governo para cancelar as importações. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval), Omar Peres garantiu que há capacidade ociosa nos estaleiros. Já o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma)
Hugo de Figueiredo, afirmou depois de reunir-se com Padilha que os estaleiros brasileiros estão precisando de encomendas. "Permitir importações é um golpe na indústria nacional", disse.
A nova política de incentivo ao setor, segundo o ministro, deverá ter "mecanismos estimuladores do governo", mesmo de caráter temporário. "Têm estaleiros que são inviáveis, mas os que são viáveis devem ser estimulados para adaptar a planta ao momento histórico que estamos vivendo", disse Padilha. "O setor é intensivo de mão-de-obra e por isso o governo tem interesse em alavancá-lo".


