Mercosul só deve negociar quando retomar crescimento, diz Cavallo
São Paulo, 6 (AE) - O ex-ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo defendeu hoje uma trégua nas negociações do Mercosul. A interrupção duraria até que Brasil e Argentina voltassem a crescer. "Neste momento, então, o Mercosul poderia ser retomado com vigor", afirmou.
Na suspensão imaginada por ele, mesmo regras já acordadas poderiam ser temporariamente revistas ou suspensas para que cada país pudesse adotar as medidas necessárias para proteger seus empregos e sua produção. Assim, salvaguardas comerciais ou algum outro tipo de barreira às importações poderiam ser adotadas. A suspensão poderia acabar no início do ano 2000, disse.
"Se o Mercosul inibe Brasil e Argentina para que tomem as decisões internas necessárias que lhes permitam criar empregos, estão é melhor suspender as negociações até que os países voltem a crescer", afirmou, após participar de um debate sobre crises cambiais, organizado pelo Banco Pactual, que reuniu os ex-ministros Luiz Carlos Mendonça de Barros e Antônio Delfim Netto.
A interrupção das negociações não significaria o fim do Mercosul porque as regras acordadas seriam mantidas, explicou Cavallo, mas ao mesmo tempo os países poderiam adotar algumas exceções para proteger suas economias. "Se nos enredamos em represálias recíprocas, vamos tornar a idéia do Mercosul impopular e colocar a população dos nossos países contra o bloco."
Para Cavallo, o Brasil rompeu primeiro com as regras do Mercosul ao desvalorizar o real em janeiro sem nenhum tipo de comunicação ou combinação prévia com Argentina, Paraguai e Uruguai. "A mudança cambial do Brasil provocou uma mudança dramática nas condições de comércio no bloco."
"Não dá para dizer taxativamente que a Argentina violou regras do Mercosul sem dizer que o Brasil também o fez", argumentou, referindo-se às salvaguardas comerciais adotadas pelo governo de Carlos Menem e posteriormente revistas. "As regras do Mercosul não são claras", disse. "Não se pode utilizar regras imprecisas e incompletas quando elas se transformam em guerra entre as nações."
Ele se declarou contrário às salvaguardas. "Mas depois que o fez, o presidente Menem não deveria ter voltado atrás." Repetindo a crítica ao presidente com palavras pouco delicadas, Cavallo disse que Menem errou ao ceder e revogar as salvaguardas. O ex-ministro de Menem está convencido de que nenhum acordo bom para todos os países do bloco poderia sair da reunião de Montevidéu. Para ele, insistir em medidas que bloqueiem o crescimento de algum dos membros pode levar "à destruição do que se construiu".
"O Brasil tem de entender que não pode exigir que se destruam setores produtivos na Argentina e se o governo brasileiro abaixou os salários em dólares com a desvalorização na Argentina não se permitiria isso."Por Denise Neumann ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca amplia informações, com novo texto.





