Buenos Aires, 12 (AE) - O Brasil crescerá 4% enquanto a Argentina continuará estagnada. Este é o diagnóstico do relatório "Avaliação Econômica Mundial", de circulação interna do FMI, divulgado pelo jornal "Clarín", o principal da Argentina. Segundo o "Clarín", o relatório especula que o Mercosul teria prejudicado a Argentina, já que "os vínculos entre este país e o Brasil são intensos e podem ter desempenhado um importante papel na crise econômica e no contágio financeiro".
O FMI afirma que possui "crescentes preocupações sobre a Argentina", e explica os motivos: o déficit fiscal passou de 1,3% do PIB no ano passado para 1,8% em 1999. O Fundo avalia que se o déficit continuar crescendo os investidores internacionais poderiam ter sérias dúvidas sobre a conversibilidade econômica, e sua manutenção da paridade um a um entre o dólar e o peso. Para o FMI, ainda não há certeza de que a queda do PIB atingiu seu piso neste segundo semestre.
Mesmo que a situação não se agrave no ano que vem, a Argentina já está sendo encarada pelo FMI como o terceiro país de menor crescimento no mundo, após Kuwait e Arábia Saudita. Segundo o FMI, a "intranquilidade" política argentina continuará até as eleições presidenciais de outubro. O órgão internacional considera que os candidatos são culpadospelo aumento do déficit fiscal, pois se opuseram às reduções de gastos propostos pelo atual governo, o que teria aumentado as taxas de juros. Os cortes implicavam drásticas reduções na área da educação e saúde.
Além disso, o FMI deixa claro que a continuação das negociações com a Argentina deverão esperar o próximo presidente
o qual, segundo o relatório, "terá que ter firme condução macro-econômica e um claro compromisso com maiores reformas estruturais".
Brasil - Sobre o Brasil, a avaliação do FMI é otimista: a previsão de crescimento da economia é de 4%. O órgão internacional considera-se tranquilo pelo real "praticamente estabilizado depois de seu salto inicial e havendo contido bem os efeitos da inflação, as autoridades monetárias puderam reduzir constantemente as taxas de juros".
O relatório sustenta que "as receitas maiores na arrecadação fiscal e os controles dos gastos mantiveram no Brasil o excedente primário do orçamento sobre seu objetivo de 1999". Estes fatores, segundo o FMI, somados a uma paridade cambial mais forte, começaram a reverter a rápida criação de dívida pública dos últimos anos".
Para o México, o FMI prevê um crescimento de 5% em sua economia. "As maiores exportações e a produção industrial melhoram as perspectivas econômicas. Os índices da Bolsa também demonstram um aumento na confiança desde fins de 1998", diz o relatório.

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