Mercosul passou a ser "ameaça" para o setor privado, diz Alaby
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 26 (AE) - Os empresários vão ter de encontrar soluções e apresentá-las aos governos brasileiro, argentino, paraguaio e uruguaio para evitar que o Mercosul se transforme em uma ameaça, não só para o setor privado da região como para a imagem dos quatro países na comunidade internacional, disse o presidente executivo da Associção de Empresas Brasileiras do Mercosul (Adebim), Michel Alaby.
"É muito importante que, neste momento, os empresários dos setores envolvidos nas disputas comerciais se reúnam para encontrar soluções e, depois, as apresentem aos seus respectivos governos", disse Alaby. Para ele, o momento é de inverter o processo e não de esperar dos governos soluções para esses conflitos comerciais que começam a pipocar.
"Se o Brasil acionar a Organização Mundial do Comércio, além da habitual demora nas investigações, vai ficar muito feio para a imagem do Mercosul, que deixará transparecer a falta de entendimento que está crescendo na união aduaneira", lamentou.
O executivo da Adebim acredita que uma dessas soluções - proposta por ele logo depois da desvalorização do real - seria a restrição voluntária às exportações, já que o comércio entre os dois países caiu 41,6% nos últimos seis meses (janeiro a junho de 99, em comparação com o mesmo período do ano passado).
Alaby acredita que a Argentina se precipitou ao adotar os mecanismo de salvaguarda para proteger a sua indústria. De acordo com ele, antes de impor barreiras não-tarifárias contra as exportações brasileiras, o governo argentino deveria ter levado essa questão à Comissão de Comércio do Mercosul (CCM).
"Não encontrando uma solução em um prazo de 60 dias, por exemplo, o Tratado de Assunção deixa claro que o problema passa para as mão do Grupo Mercado Comum, órgão máximo do Mercosul", explicou. Esgotadas essas instâncias executivas, acrescentou Alaby, "ainda restava o Tribunal de Solução de Controvérsias".
Ele acredita que a MP da Ford tenha precipitado a decisão apressada do governo argentino contra as exportações brasileiras. "Para toda ação há sempre uma reação." Alaby teme ainda que o Brasil venha a aceitar a proposta argentina de aumenta o teto da Tarifa Externa Comum (TEC), hoje em 20%. "Dependendo do comportamento da balança comercial, o Brasil é capaz de aceitar essa proposta", disse Alabay.


