Buenos Aires, 25 (AE) - A possibilidade de que Brasil e Argentina adotem uma posição conjunta sobre a crise paraguaia é remota. Segundo fontes do governo argentino, "não haverá nenhuma reunião de emergência do Mercosul" para analisar o tema. Dessa forma, os sócios do Paraguai no bloco econômico evitariam eventuais críticas à crise política do país.
O acordo do Mercosul tem uma cláusula - a chamada "cláusula democrática" - que prevê sanções comerciais contra o país membro que abandone os princípios democráticos. Com base nessa regra, o ex- presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy havia pedido ao Mercosul, após o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, a aplicação de medidas punitivas contra o Paraguai.
A decisão de evitar reuniões potencialmente capazes de aprofundar ainda mais a crise no país, porém, foi tomada após uma série de telefonemas mantidos entre os chanceleres de Brasil e Argentina, Luiz Felipe Lampreia e Guido Di Tella.
Mas, embora venham sendo evitadas as declarações abertamente críticas, não faltam as sutis advertências. Encarregado de emitir uma declaração oficial sobre o assunto, o ministro do Interior argentino, Carlos Corach, expressou claramente a posição da administração de Carlos Menem: "O governo argentino exorta o Paraguai a consolidar suas instituições democráticas e tratar de superar essa gravíssima crise que atravessa." No ano passado, Corach foi declarado persona non grata em Ciudad del Este, depois de qualificar a cidade paraguaia de "um antro de delinquentes".
Também hoje, um diretor da usina hidrelétrica binacional argentino-paraguaia de Yaciretá, Raúl Reali, disse que as acusações formuladas contra ele pelo senador paraguaio argañista Juan Carlos Galaverna têm origem no "transtorno mental" do político. Na véspera, Galaverna acusou Reali de, com a anuência de Menem, ter colaborado financeiramente com "o projeto totalitário, demente e criminoso do general Lino Oviedo".
Acusando diretamente Oviedo pelo atentado contra Argaña, Galaverna afirmara que "o fio da meada" para resolver o crime estava no "entourage do presidente Menem". Segundo ele, dinheiro desviado da usina teria sido usado para financiar o assassinato de Argaña.

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