Mercosul estimula língua espanhola
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sexta-feira, 20 de junho de 1997
Mônica Venson Especial para a Folha 
Ney de SouzaCristina Prado, 19 anos, professora, diz que seu futuro profissional está associado ao espanhol. Temos que estar preparados.A globalização e a integração econômica têm sido responsáveis pela procura de cursos de língua espanhola, e principalmente pela formação de profissionais especializados nessa área. A procura por cursos de espanhol aumentou cerca de 50% no último ano, em Foz do Iguaçu.
Não basta saber falar o inglês e arriscar um portunhol (mistura de português com espanhol). É preciso ter segurança no discurso e evitar equívocos. Uma palavra mal interpretada pode pôr fim a um grande negócio. As relações comerciais e o intercâmbio cultural promovido pelo Mercosul estão exigindo do mercado profissionais especializados, com cursos reconhecidos.
Denize Terezinha Teis, 18 anos, universitária, diz que o curso permite a conquista de novos horizontes
A partir deste ano, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) implantou no campus de Foz do Iguaçu o curso de Letras com habilitação em Espanhol, e extinguiu o curso de Letras, com habilitação em Português. Esta modificação provocou o aumento nas inscrições para o curso no vestibular de 97. No ano passado, as inscrições alcançaram a média de 4,7 candidatos por vaga. Este ano, a média subiu para 7,25 candidatos por vaga.
Segundo a diretora administrativa da Unioeste, Izolete Nieradka, a mudança do curso foi consequência de uma análise feita pela Instituição, que prevê projetos para a integração econômico-social do Mercosul. Um dos projetos mais importantes adotados pelo campus de Foz foi na área de Comunicação. A carência de professores de língua espanhola na região era grande e a Universidade resolveu formar profissionais especializados nessa área, explica Izolete.
A iniciativa da universidade foi aprovada pelos alunos. Márcia Regina Maurício, 23 anos, é professora de inglês e afirma que as escolas estão a procura de professores habilitados. Existem poucos profissionais que realmente sabem o espanhol e o mercado está exigindo o domínio da língua.
Luciene Rodrigues, 29 anos, universitária, vê o curso de espanhol como
chance para ampliar campo de trabalho
Cristina Oliveira Prado tem 19 anos é professora na escola municipal Padre Luigi Salvucci. Já fez dois anos de espanhol numa escola particular e só estava esperando começar o curso da Unioeste para prestar o vestibular. Segundo ela, a habilitação em espanhol foi fator determinante para entrar na faculdade. Se fosse só Português eu não faria o curso, o mercado está saturado, não vale a pena, completa Cristina.
A busca por novas opções de emprego também estimularam as universitárias, Luciene Rodrigues de 29 anos e Denize Terezinha Teis, 18 anos. Luciene trabalha como secretária na escola municipal Érico Veríssimo e pretende ser professora. Logo as escolas municipais terão que ministrar aulas de espanhol e eu quero estar preparada, comenta a universitária.
Márcia R. Maurício, 23 anos, professora, aproveita o idioma para trabalhar com o Mercosul. O espanhol é imprescindível.
O sonho de Denize era fazer jornalismo, mas como em Foz não existe o curso, ela optou pelo espanhol. Para ela, com o Mercosul, a procura de tradutores e até mesmo professores está aumentando e isso gera mais opções de emprego.


