Mercosul e UE definem agendas para chegar ao livre comércio
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sexta-feira, 07 de abril de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 08 (AE) - Após três dias de intensas reuniões, o Mercosul e a União Européia (UE) chegaram neste sábado (08) a um acordo sobre a definição dos grupos de trabalho que negociarão uma aproximação entre os dois blocos que em um futuro levaria à criação de uma zona de livre comércio.
A discussão sobre os subsídios agrícolas aplicados pelos europeus ficou de fora momentaneamente, mas segundo negociadores do Mercosul, "é inevitável que este assunto seja discutidos nas próximas reuniões. Em uma zona de livre comércio com o Mercosul, os europeus sabem que esses subsídios não conseguiriam manter-se por muito tempo".
Nas discussões, o Mercosul estipulou - e a UE aceitou - que as negociações serão sempre sob a égide do single undertaking, ou seja, nada se assina enquanto tudo não tiver sido discutido. Segundo participantes das reuniões, os europeus estão preocupados pela ALCA, porque pode causar uma perda de seu mercado na América do Sul. "Fazendo uma analogia com o hipismo, a UE está colocando as fichas no cavalo Mercosul", disse um deles.
Nesta primeira reunião birregional realizada em Buenos Aires foi negociado a agenda da segunda reunião, que será realizada nos primeiros dias de junho, em Bruxelas. Ficou estipulada a criação de três grandes grupos de trabalho: - Bens: nestre grupo serão negociados acesso aos mercados e regras de origem. Este grupo também analisará medidas fito-sanitárias e medidas antidumping. Aqui será discutida a questão agrícola. - Serviços: o grupo discutirá propriedade intelectual e investimentos. - Políticas de concorrência: compras governamentais e solução de controvérsias.
Definido por jornalistas europeus e argentinos como "um carioca afável", o negociador brasileiro, José Alfredo Graça Lima, Sub-Secretário de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior, afirmou que "o próprio fato da UE ser o principal parceiro comercial do Brasil e do Mercosul, justifica a aproximação". Esta reunião, afirmou, estabelece o ritmo inicial das negociações futuras.
Graça Lima disse que em Buenos Aires ficou claro que as negociações não serão fáceis, mas que considera que "serão conseguidos benefícios importantes para o Mercosul".
Segundo o diplomata, 36% das exportações brasileiras são destinadas à UE. No entanto, Graça Lima disse ao Estado que a maior parte das vendas argentinas e brasileiras aos europeus são produtos agrícolas, mas que essa situação poderia mudar. "Intriga-me o fato que o Mercosul não exporte mais produtos industrializados para a UE. Pode ser que através destas negociações possamos vender mais destes produtos."
Sobre o tempo que as negociações podem levar nos próximos anos
Graça Lima afirmou que não há prazos definidos. "A negociação pode se extender além de 2005, ou também pode ser antes disso. Vai depender da velocidade destes grupos de trabalho. Ao contrário da ALCA (Associação de Livre Comércio das Américas), com a UE não temos um cronograma", disse.
Segundo analistas argentinos, pela própria falta de um cronograma, a UE terá a preocupação de acelerar as negociações, de forma a não ser ultrapassada pela ALCA.
O negociador brasileiro sustentou à Agência Estado que os negociadores do Cone Sul estavam "mais preparados do que nunca" para a reunião com a UE. "Os europeus nos encontraram dispostos a não assinar qualquer coisa. Nós temos que ter benefícios recíprocos."
Na semana que vem, a vez será da ALCA: começa na Guatemala uma reunião técnica. A Argentina, que tem a presidência pró-tempore do Mercosul, comandará a missão do bloco comercial nas conversações.


