Os ministros da área econômica e os presidentes dos bancos centrais do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, terão dar prioridade, a partir dos próximos meses, às negociações para a adoção de uma moeda única no Mercosul. Um documento, sem imposições de prazo, foi assinado pelos quatro chefes de Estado do bloco, durante a 14ª Reunião de Cúpula do Mercosul, realizada de 23 e 24 julho, em Ushuaia, na Terra do Fogo (extremo-sul da Argentina).
O documento foi considerado ‘‘superficial e abstrado’’ pelos negociadores argentinos. Para aprofundar a integração no campo das decisões macroeconômicas, foram acertados encontros periódicos entre as equipes econômicas dos quatro países. O primeiro deles ocorrerá em agosto, na capital uruguaia.
A reunião também avançou pouco em relação a questões pontuais e polêmicas, como a exclusão do açucar e dos automóveis da lista de produtos que estão sob regime especial. Os dois produtos ainda não são negociados livremente entre os países, sendo usado o sistema de cotas.
As decisões sobre um regime automotivo comum foi adiado para dezembro. Na ocasião, deverão ser tratados pontos como índice de naciolização na composição dos veículos e a Tarifa Externa Comum (TEC) para automóveis montados e para autopeças. Sobre o açucar, as delegações não definiram data para futura negociação.
Mesmo que de maneira informal, os presidentes recuaram em relação a um eventual aprofundamento na integração com os países da Comunidade Econômica Européia (CEE). As delegações concluíram que as altas taxas de subsídios agrícolas dos países do bloco europeu são um entrave para uma futura integração do Mercosul com a CEE.
Analistas internacionais acreditam que com o enfraquecimento da idéia de integração intercontinental, os países andinos, especialmente os parceiros preferenciais - Chile e Bolívia - devem ganhar espaço no comércio exterior dos países do Mercosul.
A Organização Mundial do Comércio (OMC), no entanto, pretende incentivar o intercâmbio entre os blocos. Durante o Fórum Econômico Mundial, ocorrida em julho, em Buenos Aires, seu diretor-adjunto, Jesús Seade, desafiou as lideranças políticas e empresariais do Mercosul a ‘‘mergulharem na globalização’’.
Seade ilustrou com números a‘‘interdependência exagerada’’ dos países do bloco, que em 1997 comercializaram entre si um volume 390% superior ao registrado em 1990. No mesmo período, o volume comercializado com países fora do bloco avançou apenas 78%.Arquivo FolhaOs presidentes Fernando Henrique Cardoso, Carlos Menen e Carlos Wasmosy, na reunião de cúpula, em Ushuaia, ArgentinaLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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