Mercosul discute chuva ácida
Representantes de governo, de organizações não-governamentais (ONGs), da indústria, da pesquisa e da imprensa reuniram-se no feriado, em Ca¤uelas, próximo de Buenos Aires, na Argentina, para discutir medidas preventivas contra a chuva ácida nos países que integram o Mercosul. É a primeira vez que um assunto ambiental desta magnitude é tratado com uma antecedência compatível com a tomada de medidas efetivas. Ao invés de correr atrás dos prejuízos - que podem ser enormes ou mesmo irreversíveis - esboça-se uma tentativa de aprender com o erro alheio, neste caso, com os graves (e caros) efeitos da acidez sobre as cidades, as áreas agrícolas e os ecossistemas do norte europeu e da fronteira Canadá-Estados Unidos.
A chuva ácida é provocada pelo acúmulo, transporte e posterior deposição de poluentes atmosféricos, sobretudo dióxido de enxôfre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx). As principais fontes emissoras artificiais são as termoelétricas, as indústrias (em especial siderurgia e petroquímica), o transporte (diesel, gasolina e álcool) e as queimadas ou incêndios florestais. Também existe chuva ácida natural, associada a ciclos de nutrientes das florestas tropicais ou a erupções vulcânicas, por exemplo.
A acidez interfere no equilíbrio químico dos solos e das águas, provocando corrosão e perda de nutrientes por lixiviação. Os ecossistemas se alteram, as áreas agrícolas são profundamente afetadas e ocorre mortandade de animais e até extinção localizada de flora e fauna. A correção da acidez é possível, mas extremamente onerosa.
Embora, no Mercosul, existam pólos industriais e urbanos onde já está ocorrendo a chuva ácida, os níveis de dano ainda são relativamente baixos. As alternativas para controlar a emissão de poluentes passam pela mudança de processos industriais, instalação de filtros, adoção de tecnologias limpas, mudança de fontes de energia e redução de desperdícios no transporte e no consumo energético.
Durante a reunião de Ca¤uelas, os representantes da Confederação Nacional das Indústrias (CNI, do Brasil), da União Industrial Argentina (UIA) e da Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU), iniciaram negociações para o intercâmbio entre os respectivos centros de transferência de tecnologia, para incrementar a troca de informações e de inovações tecnológicas entre si. Outra proposta concreta foi a criação de um banco de dados com informações sobre chuva ácida, experiências positivas de controle e substituição de fontes emissoras e medidas concretas para alcançar a redução das emissões. O objetivo seria ampliar a consciência sobre o problema e facilitar a adoção de soluções. Os representantes governamentais e não-governamentais, participantes do Protocolo Ambiental do Mercosul, deverão, ainda, incluir o tema nas discussões oficiais do mercado comum.Arquivo FolhaAs matas tropicais são muito vulneráveis à chuva ácida devido ao solo pobre e à diversidade de espéciesLiana John
Agência Estado





