Mercosul depende de moeda única, dizem economistas
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 07 (AE) - A sobrevivência do Mercosul depende da adoção de uma moeda única na região, segundo avaliação do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, e do economista Fábio Giambiagi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para os dois, a moeda comum torna inviável o projeto de dolarização da Argentina, que vinha sendo defendido pelo presidente Carlos Menem.
O caminho, contudo, é longo. Antes que os quatro países que compõem o Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - possam trocar suas moedas por uma nova, comum a todos eles, é preciso que suas políticas macroeconômicas sejam muito mais parecidas entre si do que são hoje, ponderam.
"Sem a moeda única, um mercado comum fica imperfeito", disse Giambiagi. "Mas ela pressupõe economias mais homogêneas." Caso ela existisse, Brasil e Argentina teriam sido menos afetados pelas recentes crises financeiras internacionais. "E, se a opção dos países for mesmo por uma moeda única, isso significa uma pá de cal nas discussões sobre dolarização da Argentina", explica.
Giambiagi explica que entre os economistas que defendem a adoção da moeda única há um certo consenso de que ela precisa ser precedida por "três 3%". Ele explica: os quatro países perseguiriam, como teto (e não meta) de suas políticas macroeconômicas, os seguintes indicadores: 3% de déficit público nominal como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), 3% de déficit em conta corrente em proporção do PIB e 3% de inflação anual.
Além de políticas macroeconômicas semelhantes, Loyola observa que os países precisam de regimes tributários e trabalhistas harmônicos. "A criação desses compromissos no Mercosul poderia, então, facilitar a aprovação dessas reformas no Brasil", avalia Loyola. "Mas é preciso ir devagar e estabelecer um cronograma para a adoção da moeda."
Loyola acredita que outros países, como o Chile, podem ser integrados na discussão da moeda única. Na sua avaliação, o fortalecimento do Mercosul - "que depende da moeda única" - seria fundamental nas discussões da formação da área de Livre Comércio das Américas (Alca). Mais fortes, argumenta, os países teriam condições de negociar em igualdade com os Estados Unidos. "Se Argentina ou até o Brasil, por exemplo, adotassem o dólar como sua moeda, discutiriam relações comerciais com os EUA em posição muito frágil", avalia.
Para Giambiagi, a data para alcance dos "três tetos" poderia ser 2002. "Depois, novas metas de avanço seriam definidas, progressivamente", acrescenta o economista do BNDES. Giambiagi lembra que a União Européia trilhou um caminho semelhante, mas longo. "Lá, a discussão começou 30 anos antes."
O ex-ministro argentino da Economia Domingo Cavallo também é um defensor convicto da moeda única no Mercosul. Na sua avaliação, a adoção de um regime monetário comum aos países-membros do bloco seria a alternativa para que a Argentina migrasse do atual regime de conversibilidade de sua moeda para um novo regime monetário.


