Mercosul demanda abertura comercial da UE
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Tito Drago, da IPS (assinatura obrigatória) 
Madri (AE-IPS) - O Mercosul urge que a União Européia (UE) negocie a liberalização do comércio entre ambas as regiões, assinalou esta semana em Madri o ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Guillermo Caballero Vargas. Caballero Vargas interveio junto ao vice-presidente do governo espanhol e ministro da Economia, Rodrigo Rato, no Primeiro Encontro de Economia Global Euro-Latino-americano, que será realizado durante toda esta semana (de 2ª a 6ª feira).
O ministro paraguaio recordou que em dezembro de 1995 a UE e o Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul, integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) firmaram em Madri um acordo para constituir uma Zona Interatlântica de Livre Comércio. Desde então houve reuniões de comissões mistas, mas a negociação não teve início porque falta um acordo expresso dos órgãos políticos da UE. Rato assinalou que a evolução da economia latino-americana nos últimos anos gerou grandes esperanças, "que se mantêm apesar das crises financeiras". Essas crises, como a que surgiu este ano no Brasil, têm efeitos negativos, mas só a curto prazo, e não afetam a confiança no desenvolvimento a médio e longo prazo na região, agregou.
Essa opinião não é compartilhada por Juan Velarde, catedrático de economia e um dos analistas mais respeitados da Espanha, que alertou sobre a situação na América Latina, considera por ele "preocupante". Velarde disse que a maior preocupação se concentra sobre a Argentina, país que, em sua opinião, não pode seguir por mais muito tempo sem desvalorizar sua moeda. Nos últimos anos na América Latina foram vendidos ativos (de empresas ou serviços públicos) muito baratos, mas esta etapa está sendo concluída e a dependência da região das economias do Norte segue sendo muito importante, observou. A respeito do assunto, Antônio Garrigues Walker, vice-presidente da Comissão Trilateral, disse que "o mundo rico deve entender que para manter sua riqueza deve ajudar os outros a enriquecer". A Comissão Trilateral é um organismo não-governamental composto em sua maioria por personalidades ligadas a grandes empresas transnacionais dos Estados Unidos, Europa e Japão.
As crises financeiras internacionais foram tema recorrente na reunião. Shahid Burki, vice-presidente do Banco Mundial, manifestou que já não cabe mais falar de "crises recorrentes" para se referir às que estouram mais ou menos inesperadamente em diversos pontos do planeta. Agora, disse, "há uma volatilidade constante", ou seja, os capitais internacionais estão distantes de se fincarem nos países onde são invertidos e, em câmbio, voam de um mercado a outro sem parar. Garrigues Walker opinou que algo do que se faz para regular os movimentos de capitais está errado, e que é preciso forçar novas iniciativas originais e audazes. Burki afirmou que o problema maior da atualidade é como criar uma nova arquitetura financeira. Essa arquitetura, prosseguiu, não deveria ser criada pelos governos, e sim pelo setor privado, com o apoio do público. Rato expressou que a globalização exige que os organismos financeiros internacionais - como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional - tenham um papel mais efetivo e com maior rapidez para enfrentar as crises. Quanto às relações euro-latino-americanas, assinalou que as negociações da UE com o Mercosul e com o México "devem abrir as portas a negociações mais generalizadas entre as duas regiões".
O euro, a moeda única européia criada este ano, deveria converter-se em uma alternativa ao dólar norte-americano nos mercados financeiros, prosseguiu o ministro espanhol. Ele concluiu sua intervenção afirmando que "o mundo do século XXI será o mundo da América Latina", a região emergente com maiores possibilidades econômicas, políticas e culturais. Caballero Vargas disse que o Mercosul apresenta estabilidade política, econômica e jurídica. Os acontecimentos que levaram a uma mudança de governo no Paraguai, país que este semestre exerce a presidência do Mercosul, demonstram que o bloco "conta com uma rede de segurança, não só no plano econômico, como também no político", expressou.


