São Paulo, 30 (AE-IPS) - Começa a se instalar nos países do Mercosul um debate público sobre os produtos transgênicos. As atitudes dos governos têm variado de um extremo a outro. O Brasil avança no caminho da limitação ou proibição dos cultivos transgênicos. A Argentina tem um critério totalmente oposto. Uruguai e Paraguai, por sua vez, mantêm apenas posição de expectativa para ver o que acontece.
Em maio passado, o juiz federal Antonio Prudente proibiu a produção de soja transgênica no Brasil, sentença dada em favor do Instituto de Defesa do Consumidor e a filial brasileira do grupo ambientalista Greenpeace. O argumento usado foi o de que a Monsoy, filial da norte-americana da Monsanto, não apresentou estudos sobre o impacto ambiental que estes cultivos acarretariam.
A decisão de Prudente foi precedida por uma outra do Paraná de proibir o cultivo dos produtos transgênicos em todo o Estado. A medida atendeu à ameaça dos importadores europeus de suspender completamente suas compras de grãos no Estado.
Olívio Dutra (PT-RS) também se disse favorável a declarar seu Estado "totalmente livre de transgênicos". O governador gaúcho assinou decreto estabelecendo restrições ao desenvolvimento de cultivos experimentais com sementes transgênicas. O Rio Grande do Sul produz 22% de toda a soja brasileira. Exporta quase toda a sua produção para Europa e Japão.
Na Argentina, as empresas transnacionais Novartis, Agrevo e Monsanto, e os empresários da Associação de Produtores de Sementes da Argentina querem que o governo seja mais veloz na liberação destes cultivos. A Comissão Nacional de Biotecnologia Agropecuária aprovou pedido da empresa Agrevo para experimentar dois tipos de arroz transgênicos, tolerantes ao pesticida glufosinato de amônia, fabricado pela própria empresa.
O jornal argentino ámbito Financiero anunciou recentemente que a colheita de uva da safra 1999-2000 na província de San Juan, noroeste do país, mediante adoção de novas técnicas, pode chegar a 100.000 toneladas. Por conta disso, a província será o segundo maior exportador de uva do mundo, atrás do Chile. Na Argentina não se exige que os produtos tenham selos de aviso que os alimentos são transgênicos. O governo se alinhou às posições dos Estados Unidos e das grandes empresas transnacionais de biotecnologia.
A atitude do governo do Uruguai, por sua vez, é ambígua. O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca autorizou este ano a realização de vários plantios experimentais, mas ainda não liberou o cultivo de produtos transgênicos. O Comitê de Análise de Risco de Materiais Transgênicos, integrado por várias institutições estatais uruguaias e encarregado de receber os pedidos das empresas, segue, até agora, os critérios aplicados "em outros países". O Comitê, por exemplo, já autorizou estudos com eucaliptos transgênicos, cuja característica é que gera certas toxinas que repelem as formigas.
No Paraguai, empresas norte-americanas e argentinas pediram permissão para introduzir sementes transgênicas de soja e milho, mas o governo ainda não emitiu parecer a respeito. Por conta disso criou uma Comissão de Biodiversidade integrada por representantes do governo e organizações não-governamentais. Víctor Benítez, membro da Comissão, diz que o assunto "está gerando um amplo debate".

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