Santiago, 28 (AE-IPS) - O governo do Chile está disposto a mediar a disputa entre Brasil e Argentino. A informação é do chanceler Juan Gabriel Valdés. A crise é considerada por analistas como a pior já vivida pelo Mercosul.
Em declarações públicadas hoje no jornal El Diário, de Santiago, especializado em economia, Valdés disse que o Chile pode ajudar na solução da controvérsia se for convidado para a reunião extraordinária do Grupo Mercado Comum (GMC) marcado para 4 de agosto em Montevidéu (Uruguai).
A reunião do GMC foi convocada pelo Uruguai, atual presidente pró- tempore do bloco. O Mercosul foi criado em 91 e o Chile é membro associado desde 96, assim como a Bolívia, e participa formalmente no GMC. Uma crise comercial no Mercosul pode fazer um estrago considerável na economia chilena. Brasil e Argentina, com o México, são os principais compradores latino-americanos dos produtos manufaturados.
A crise também pode, segundo a chancelaria chilena, provocar o adiamento do país andino como membro pleno do bloco nos próximos anos. Para Valdés, o momento "é muito crítico". Ele acredita, contudo, que as negociações comerciais argentino-brasileiras vão ser reiniciadas.
Valdés avalia que a união aduaneira não tem se aprofundado em um sentido mais amplo, por exemplo, com acordos em áreas de investimentos e serviços. O chanceler opinou que essas características, somadas ao fato de que o Mercosul tem uma "institucionalidade precária", criam condições para o surgimento de crises "sempre que hajam movimentos de tarifas".
Ricardo Lagos, candidato presidencial do governante Concertación por la Democracia para as eleições de dezembro disse há dois meses que buscará vias para a integração plena do Chile ao Mercosul.

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