Os rigorosos padrões de qualidade impostos pelo mercado globalizado estão provocando um crescimento de interesse sobre a metrologia - ciência que estuda e padroniza pesos, medidas e sistemas de unidades. O tema foi discutido em Foz do Iguaçu no Encontro Sul-Americano de Metrologia (Metrosul).
Cerca de 300 técnicos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (países que compõem o Mercosul) além de México e Inglaterra, participaram do evento promovido em parceria entre a Rede de Laboratorios Técnológicos (Relat), Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) e Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Estiveram na pauta temas polêmicos como a disputa pela hegêmonia internacional entre o sistema métrico e o sistema britânico, a necessidade de uma maior divulgação da ciência entre o empresariado e a busca da derrubada dos últimos entraves técnicos do mercado globalizado.
‘‘Instituições e organismos internacionais estão amadurecendo a idéia de que o mercado mundial deve escolher um sistema único’’, lembra Juraci Barbosa Sobrinho, presidente do Comitê Executivo da Relat. Mas a maioria dos técnicos e cientistas da área acredita que o quadro de divisão permanecerá por algum tempo. ‘‘Enquanto a economia norte-americana estiver ditando as regras do mercado global, o sistema métrico encontrará dificuldade em conseguir um domínio absoluto’’, constata.
No Mercosul, região que apenas adota o padrão métrico, a preocupação são os gastos extras destinados à produção industrial para os Estados Unidos. Os norte-americanos usam a padronagem britânica (milha ao invés de quilômetros, libra ao invés de grama). Para exportar para aquele país - o maior comprador dos países do bloco - são necessárias adaptações nas dimensões e nos formatos, o que acaba encarecendo o custo final e acarretando perda de competitividade.
‘‘Além disso, as normas de controle para pesos e medidas são significativamente mais severas’’, diz Barbosa Sobrinho. O presidente do evento avalia que o Brasil está à frente de Argentina, Paraguai e Uruguai na busca por um padrão metrológico mais avançado, embora ainda não esteja no nível das potências exportadoras.
Outro assunto abordado na reunião foi a importância de se conhecer a metrologia, maior paradigma para conquistas de certificados internacionais de qualidade (o maior exemplo é o ISO 9000), para que um número maior de empresários tenha acesso a programas de qualidade e tenha condições de negociar parcerias.
O ex-ministro da Infra-Estrutura, Ozires Silva, falou de sua experiência na direção da Embraer, empresa que enfrentou grandes dificuldades para consolidar uma parceria com uma empresa argentina do setor. ‘‘Havia uma incrível incompatibilidade entre nossas peças e as que recebíamos deles’’, lembrou. Depois de negociada uma uniformização, o projeto acabou fracassando mercadologicamente. ‘‘Perdemos muito tempo com todo aquele processo o que prejudicou as vendas’’, exemplificou.Ney de SouzaEx-ministro da Infra-Estrutura, Ozires Silva, falou de sua experiência na direção da EmbraerLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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