Rio, 29 (AE) - O acordo comercial entre o Mercosul e a Comunidade Andina, que começará a ser negociado a partir da assinatura, na semana que vem, do convênio de preferências tarifárias entre o Brasil e os países andinos, significará, na prática, a formação de uma área de livre-comércio sulamericana - que, para o governo brasileiro, pode ser estratégica nas negociações para a área de Livre Comércio das Américas (Alca) e com a União Européia (UE).
"Se olharmos o mapa hoje e os esforços que estão sendo feitos dentro da sub-região e da região latinoamericana, será possível imaginar, dentro de alguns anos, que os acordos de livre-comércio entre o Mercosul e a Comunidade Andina e mais, eventualmente, o México, cobrirá praticamente todos os países que fazem parte da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração)", apontou o subsecretário de Integração do Ministério das Relações Exteriores, José Alfredo Graça Lima.
O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, vem defendendo que o Brasil pode ganhar mais peso nas conversas sobre a Alca e com a UE se fechar um acordo sulamericano. "É preciso completar o processo de liberalização e de intercâmbio com a Comunidade Andina e criar uma zona de livre-comércio sulamericana", afirmou.
Lima garantiu que as negociações com o bloco andino e com o México não substituiriam a Aladi. "Hoje não se fala, em absoluto, em substituto para a Aladi ou de uma área de comércio da América Latina, masa isso pode ser uma realidade a partir dessa rede de acordos que vão se firmando entre blocos e entre países", disse. Ele admitiu que, depois da constituição do Mercosul, o Brasil se viu obrigado a renegociar as preferências com a Comunidade Andina.
Mercosul - Botafogo afirmou que a queda no volume de comércio entre os países do Mercosul não é culpa apenas da desvalorização cambial promovida pelo Brasil no início do ano. O secretário explica que já era esperada uma desaceleração no ritmo de crescimento do comércio na região após os primeiros anos de criação do bloco econômico. Ele destaca que o objetivo do Mercosul agora deve ser a busca por novos mercados através de acordos, como o firmado com a União Européia.
"Com o fortalecimento do Mercosul, os países vão poder negociar novos mercados e compensar a queda no comércio na região", disse. "Ampliar o mercado, ultrapassar barreiras das fronteiras regionais e convergir em matéria de políticas fiscais
comerciais e econômicas."
O secretário ressaltou que chegou o momento dos quatro países do Mercosul começarem a discutir temas mais complexos e profundos, como a coordenação macroeconômica.

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