Rio, 22 (AE) - O grupo alemão Merck e o laboratório argentino Bagó anunciaram hoje a primeira grande parceria no setor farmacêutico para atuar na América Latina. Com o acordo, a Bagó vai desenvolver e produzir medicamentos para serem comercializados pela Merck no Brasil. A expectativa do grupo alemão é aumentar entre 30% e 40% sua participação no País nos próximos cinco anos. Atualmente, o Brasil responde por cerca de 4% das vendas totais da companhia.
O presidente da Bagó, Juan Carlos Bagó, explica que a entrada dos produtos da companhia no Brasil vai proporcionar ganhos de escala para o laboratório, que já ocupa a posição de maior indústria farmacêutica de capital latino, com faturamento de US$ 500 milhões por ano. "Esperamos que o mercado brasileiro passe a significar entre 10% e 15% de nossas vendas."
Segundo o presidente da empresa argentina, o acordo vai permitir que os produtos chegem com preços entre 15% e 20% mais baixos dos que os dos concorrentes. O projeto inicial é vender uma linha de 16 medicamentos para uso cardiovascular, neuropsiquiátrico e gastroenterológico. Mas, já se estuda a comercialização de antibióticos.
O diretor-presidente do grupo alemão, Walter Herrmann, explica que os produtos da Bagó complementam a linha de medicamentos desenvolvida pela Merck. Os primeiros seis produtos que serão comercializados em parceria vão estar à disposição dos brasileiros a partir deste mês.
A linha de produtos escolhida foi direcionada ao combate de doenças com alta incidência no Brasil, como hipertensão, acidente cerebral-vascular, úlcera, infecção urinária e estresse.
O acordo vai servir de base para outros projetos das duas companhias, que já estudam parcerias na Venezuela, Paraguai e Uruguai. "Apesar das diferenças de tamanho entre as empresas, temos um ponto de afinidade: somos companhias familiares", explicou Bagó.
Ele explica que mais de 70% do capital da Bagó e da Merck ainda estão em poder das famílias que as criaram. O diretor-presidente do grupo alemão, Walter Herrmann revela que o acordo prevê investimentos de US$ 85 milhões para os próximos cinco anos e a criação de 100 empregos diretos no Brasil.
Esses recursos serão aplicados, principalmente, no treinamento de pessoal e em marketing. Para desenvolver a parceira foi criada a Divisão Merck-Bagó, com sede no Rio de Janeiro. O presidente do laboratório argentino destacou que a Bagó tem como princípio sempre investir no país de origem os lucros obtidos pela companhia.

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