São Paulo, 18 (AE) - A Mercedes-Benz vai repassar o aumento de custos decorrente da volta e da elevação da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF). A informação é do presidente da empresa, Ben van Schaik. Segundo ele, o tributo vai ser repassado tanto nos preços dos caminhões como nos do Classe A, o primeiro automóvel fabricado pela empresa no Brasil e que começou a ser vendido no dia 10.
Segundo o executivo, o repasse da CPMF será imediato, mas outros aumentos de custos terão de ser também compensados. Schaik disse estar "decepcionado" com a elevação das tarifas de energia e telefone, por exemplo.
Ontem (17), o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, assegurou que as quatro maiores montadoras do de automóveis, Fiat, Volkswagen, GM e Ford, não vão repassar a CPMF para os preços.
Schaik defendeu hoje a agilização das reformas, principalmente a tributária, como forma de desonerar a produção. Segundo ele, "os altos custos internos e a complexidade dos impostos" está tirando a competitividade dos veículos fabricados no Brasil.
Exportação Segundo o presidente da Mercedes, o setor automotivo perde, assim, a oportunidade de exportar mais, apesar da vantagem cambial para vendas externas. Apesar disso, a Mercedes está fechando contrato para a venda de 12 mil motores de caminhões para a subsidiária da empresa nos Estados Unidos. A mesma fábrica comprará outros 8 mil motores da Europa.
Schaik não revelou o valor do contrato para os EUA e ainda confirmou negociações para vender ônibus para Cuba. A Mercedes lidera as exportações de caminhões feitos no Brasil, com 70% do total, e de ônibus (80%).
Segundo o diretor de vendas da Mercedes, Roberto Bógus, a empresa conseguiu abrir novos mercados, não tradicionais, como Oriente Médio.
Mas as vendas da marca ao exterior serão prejudicadas este ano, assim como no restante do setor, pela crise na Argentina, principal comprador. "É por isso que não houve até agora uma correlação entre desvalorização cambial e aumentos de exportações", destacou Bógus.

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