Mercedes pode fechar acordo inédito com trabalhadores
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 23 (AE) - Os 10 mil funcionários da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, ligados ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT), estão prestes a aceitar um acordo com a montadora que funcionará como um "seguro contra demissões", pago pelo trabalhador.
Chamado de Plano de Gestão da Crise (PGC), o acordo prevê que em caso de séria crise econômica no País, com violenta paralisação das vendas de caminhões e chassis de ônibus, o trabalhador poderá se afastar da empresa por até 200 horas no ano - tudo de uma vez ou em períodos alternados. Ele receberia seu salário normalmente, mas assumiria o prejuízo de seu afastamento abrindo mão de benefícios como o décimo-terceiro salário ou participação nos lucros ou resultados (PLR). O desconto seria proporcional ao tempo que não trabalhou.
A comissão de fábrica da Mercedes-Benz deixa claro que o seguro seria acionado apenas depois de esgotadas todas as outras alternativas. "A empresa deverá comprovar que está com uma crise séria", avisou Moisés Selerges Junior, integrante da comissão. "Em caso de queda nas vendas, as primeiras alternativas seriam férias coletivas e licença remunerada e só depois disso o PGC seria acionado." Segundo Selerges, a última vez que a montadora demitiu em massa foi em 1995, quando cortou 1,2 mil trabalhadores. "Se tivéssemos um mecanismo como esse na época, teríamos conseguido evitar o corte", disse.
O PGC não valerá para casos de ociosidade decorrentes de automação ou de terceirização de setores, mas apenas para crise nas vendas. A Mercedes-Benz, conforme a comissão de fábrica, está produzindo hoje 155 veículos por dia. "Em meados do ano passado a produção era de 210 por dia", observou o sindicalista.
A montadora tem hoje cerca de 300 empregados que considera ociosos, segundo a comissão. Programa de demissões voluntárias encerrado recentemente já provocou o desligamento de outros 385.


