Belo Horizonte, 13 (AE) - A direção da Mercedes Benz do Brasil e o governo de Minas Gerais chegaram a um acordo hoje pela manhã para a produção do Classe A em Juiz de Fora. Depois de uma reunião com o governador Itamar Franco (PMDB), o presidente da empresa, Ben van Schaik, anunciou que o acordo será mantido em termos de valores. Apenas os prazos para o repasse de incentivos fiscais previstos no contrato serão dilatados. "Não temos mais divergências", disse.
A discussão sobre a revisão do contrato entre o governo mineiro e a Mercedes teve início em fevereiro, depois de declarações do governador sobre a intenção de rever os incentivos do estado às montadoras. Quatro reuniões técnicas foram realizadas antes de se chegar ao acordo.
Segundo Schaik, a Mercedes aceitou rever os prazos dos repasses por compreender as dificuldades financeiras enfrentadas pelo estado. Em março, Minas deixou de pagar a primeira parcela do acordo, de cerca de R$ 10 milhões. Schaik não quis comentar detalhes do contrato. "Para nós, basicamente, nada mudou."
A nova fábrica da Mercedes será inaugurada no dia 23, com a presença de Itamar. O presidente Fernando Henrique Cardoso será representado pelo vice, Marco Maciel. A apresentação do carro para a população de Juiz de Fora ocorrerá no sábado.
A previsão é de que o Classe A esteja à venda nas concessionárias até o fim de maio, custando entre R$ 33 mil e R$ 35 mil.
Investimento - Até o fim do ano, a Mercedes terá investido US$ 820 milhões na construção da nova fábrica e outros US$ 47 milhões no parque de fornecedores. Mil e quatrocentos empregados já foram contratados no pátio da fábrica e 620 nos fornecedores. No segundo semestre, a produção do Classe A deverá atingir o patamar de 150 carros por dia.
A expectativa da direção da Mercedes Benz do Brasil é de que a unidade de Juiz de Fora represente 50% da receita da empresa, com faturamento de R$ 2 bilhões em 2000. Segundo o presidente da companhia, há planos para a exportação para a Alemanha de peças produzidas em Juiz de Fora, como plásticos e peças da estamparia. "A mudança cambial propicia essa mudança."
Schaik disse que está otimista quanto à retomada do crescimento no País. "Nossos sentimentos sobre o Brasil mudam várias vezes por ano", brincou. "Agora minha opinião é que a situação melhorou."
Ele afirmou que a empresa espera que o governo brasileiro mantenha o compromisso de fazer a reforma tributária em curto prazo. A filial brasileira da Mercedes representa 5% do faturamento do grupo.

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