São Paulo, 15 (AE) - Num dia tranquilo, sem nada que provocasse estragos no desempenho dos principais indicadores financeiros, o mercado foi favorecido hoje por alguns fatos internos e pela sensível melhora da percepção dos investidores internacionais quanto ao Brasil.
A decisão do governo, de reduzir a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de recursos externos de 2% para 0,5% no período de 17 de março a 30 de junho
fez o dólar cair 2,6%. A moeda era negociada no fim do dia a R$ 1,87, enquanto, na abertura do mercado, a cotação estava entre R$ 1,89 e R$ 1,90. "A queda ocorreu depois que a notícia foi divulgada", disse um operador.
Para compensar a perda na arrecadação, informa a Receita Federal, a alíquota de IOF sobre despesas com cartões de crédito internacional sobe, no mesmo período, para 2,5%.
Mais negócios - Com a queda de hoje, o dólar acumula uma perda de 9,43% no mês, reduzindo a desvalorização do real para 35,3% desde meados de janeiro, quando o mercado de câmbio foi liberado. Descontando desse percentual a estimativa de inflação de 16,8% negociada entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para este ano, a desvalorização real da moeda brasileira já caiu para 15,8%.
Para o mercado, a medida deve ajudar a trazer de volta o capital especulativo das bolsas de valores, pelo menos em parte. Tal expectativa contribuiu para animar os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Mas o principal motivo da alta de 8,76% na Bolsa sem dúvida nenhuma foi a valorização de 150% dos papéis da LightPar, que acabou estendendo-se por todas as ações do setor de energia elétrica. Operadores lembram que o setor de eletricidade tem peso importante no Índice Bovespa e por isso a alta teve tanto impacto. Analistas ressaltam, no entanto, que a alta da Bovespa não pode ser considerada um indicador de tendência.
Otimismo - O mercado de câmbio, que desde a crise russa, de agosto do ano passado, sofre com a falta de capital externo, ficou mais otimista com a disposição dos bancos estrangeiros em manter linhas interbancárias e comerciais no Brasil, num sinal considerado evidente de que a missão do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, está sendo bem sucedida.
Operadores consideraram positivas as declarações do vice-presidente do Citibank, Willian Rhodes, sobre as linhas de financiamentos para o Brasil. Apontado pelo governo brasileiro como coordenador dos bancos credores, o executivo afirmou que as instituições estão "próximas de uma posição unânime" na manutenção das linhas de crédito para o País e mostrou-se confiante na possibilidade de o Brasil poder captar nos mercados internacionais em algum momento antes do fim de abril.
Colaborou também para o relativo otimismo do mercado o relatório divulgado pelo Morgan Stanley Dean Witter elevando a participação do Brasil em sua carteira da América Latina. O peso do Brasil foi elevado de 26,5% para 30%, passando da posição neutra para "overweight" (acima da média).

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