Paris, 12 (AE) - A saída do ministro das Finanças Oskar Lafontaine (a esquerda do SPD) foi comemorada com entusiasmo pelos mercados, pela Bolsa de Frankfurt, pelo euro - o euro, essa "moeda única" européia que, lançada no dia 1º de janeiro começara esmagando o dólar, antes de, inexoravelmente, se dobrar. Essa manhã, o euro reergue a cabeça.
Entendemos a arrogância do euro. Foi o euro que "se vingou" de Lafontaine. Este e sua ideologia "keynesiana" sucumbiram à lógica "liberal" que inspira o tratado de Maastricht.
Saberemos a partir de então: ninguém, nem mesmo o mais prestigioso Lafontaine, que era ministro das Finanças e presidente do partido dominante que é o SPD, pode resistir ao euro. Lafontaine foi expulso brutalmente pelo tratado de Maastricht, como um corpo estranho e indesejável. Agora, o euro respira: uma vez retirado o agitador, vamos nos reencontrar "entre eles" uma vez.
Obviamente, o euro tinha correias de transmissão, ligações, motores de reserva para acabar com Lafontaine: a Bolsa de Frankfurt, os banqueiros alemães, os patrões das indústrias automobilísticas a ainda a eletricidade e também o Banco Central Europeu, que gere o euro e que não aceitava as pressões incessantes de Lafontaine em favor de uma "aceleração da expansão", dos aumentos de salários, etc.
A essa lista de assassinos de Lafontaine, é preciso acrescentar evidentemente todos os sistemas bancários e de bolsas da Europa e da América. Enfim, o chanceler Schroeder (socialista rosa pálido), cuja gestão é deplorável há cinco meses, em parte, devido a Lafontaine, nada tem feito para reter o declínio de seu "braço direito".
E os outros países da União Européia? Favoreceram também a saída de Lafontaine? Não "a olho nu", mas acredita-se que, para muitos deles, a saída desse "socialista" um pouco antiquado, um pouco "kitsch" é um ganho inesperado. Um Tony Blair, cuja filosofia está muito longe de Lafontaine e que, a partir de então, em sua inquietaçào de dobrar o socialismo à economia de mercado, poderá exercer uma influência bem maior sobre Schroeder agora que esse (próximo a Blair) livrou-se dessa má consciência que se chamava Lafontaine.
O caso dos franceses é mais claro. Lionel Jospin é efetivamente mais socialista que um Schroeder ou um Blair. Obcecado pela justiça social, recusa-se a deixar o mercado controlar. Além disso, oficialmente, os socialistas franceses lamentaram a queda de Lafontaine que, na União Européia, era um aliado das posições de Paris.
No entanto, as lágrimas vertidas, essa manhã, pelos ministros franceses sobre a saída de Lafontaine talvez sejam "lágrimas de crocodilo". Jospin e, sobretudo, seu ministro das Finanças, Dominique Staruss-Kahn, proclamaram-se todo o tempo sua pureza ideológica socialista, aproximando-se prudentemente das posições "liberais": Jospin, o socialista virtuoso "privatizou" mais do que qualquer governo de direita, algum dia, ousou fazer. E assiste, sem dar uma palavra, aos combates das grandes empresas capitalistas (fusões).
Apesar disso, Paris foi quase a única capital européia que procurou conter o "liberalismo completo". E nesse combate em favor dos princípios socialistas, Jospin e Strauss-Kahn tinham o apoio de Lafontaine. Ei-los hoje bem isolados.
Portanto, tudo leva a concluir que toda a Europa vai dar um sério golpe de atordoar em direção ao "centro", para não dizer à "direita".
E isso significa que a União Européia, livre de Lafontaine, vai retomar seu vôo? E isso significa que as disputas franco-alemãs, os males, as derrapagens, a lentidão que, há cinco meses, constituem obstáculo para a União, vão desaparecer por magia?
A alegria dos mercados, o aumento brutal do euro diante do dólar deixam prever. No entanto, sem certeza: Schroeder mostrou-se tão inábil!
Ele vai se livrar de um só golpe, uma vez apagada a silhueta diabólica de Lafontaine? E mais, se a ala esquerda do socialismo alemão desapareceu, continuam os "verdes", que eram tão próximos a Lafontaine.
Schroeder poderá continuar? Sem dúvida, ele pode mudar radicalmente sua maioria e se aliar com os liberais ou até mesmo com a CDU. Mas o que restaria dessa "Europa socialista" cada vez mais espectral? A construção européia, hoje um "balão de oxigênio", não saiu do atoleiro.
Essa crise contém outra lição: desde que os países europeus associaram-se no mesmo projeto, eles são solidários, as fraquezas de qualquer um dos grades países europeus (Alemanha, França, Inglaterra ou Itália) têm repercussões automáticas em todos os outros membros. Em outras palavras, a Europa corre o risco de ter esse efeito perverso: multiplicar por quinze os efeitos de cada crise.

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