Mercadorias paradas no Porto somam US$ 24 mi
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Cerca de 200 declarações de importação, que correspondem a US$ 24 milhões em mercadorias, estão paradas no Porto de Paranaguá há mais de 30 dias por causa da operação padrão dos fiscais da Receita Federal. Eles estão reivindicando um plano de cargos e salários desde meados do ano passado e até agora não foram atendidos pelo governo federal. Para o deputado federal Gustavo Fruet (PMDB), o governo precisa dar uma resposta aos servidores públicos porque a operação padrão é muito grave e está afetando o desempenho das empresas.
De acordo com empresários, já estão faltando alguns produtos importados como pó solvente para refrigerantes, película e tinta para impressoras e fax, papel, peças e componentes de veículos, entre outros. O problema é que esses produtos estão ficando escassos no mercado e o consumidor vai acabar pagando a conta porque a tendência é subir o preço da mercadoria. As empresas estão preocupadas também com a possibilidade de perdas de contratos por falta de matéria-prima.
Além da reivindicação salarial, os fiscais da Receita Federal estão denunciando a falta de condições para atender a demanda. De acordo com o vice-presidente da Unafisco, Marco Antonio Alves, atualmente só tem sete fiscais fazendo o desembaraço das mercadorias em Paranaguá e todos eles estão ocupados cumprindo as liminares da Justiça que manda liberar prioritariamente as cargas das empresas que entram na Justiça.
Segundo Alves, a partir de segunda-feira a Receita Federal de Paranaguá ganha o reforço de mais dois fiscais e eles pretendem reverter essa situação. Alves disse que não é justo que as pequenas e médias empresas que têm mais dificuldades para recorrer à Justiça para liberar suas cargas sejam as mais prejudicadas. De acordo com o servidor a empresa que procurar a Unafisco e provar que está necessitando muito da mercadoria para não suspender a linha de produção, será atendida.
O deputado Gustavo Fruet disse que a greve está prejudicando o País e lamentou a falta de empenho do governo federal para resolver essa situação, que na sua avaliação está gerando um outro tipo de crise econômica, que é a de escassez de matéria prima. Fruet lembrou que a categoria de fiscais da Receita representa uma carreira típica de Estado que tem que ser agraciada com um Plano de Cargos e Salários.
Segundo o deputado os servidores públicos atenderam ao pacto do governo e não fizeram reivindicações no primeiro ano de governo. ''Agora a lua-de-mel acabou e chegou o momento do governo dar uma resposta'', afirmou. Ele acredita que esse tipo de movimento tende a se acirrar daqui para frente se não for formulada uma proposta para avaliação dos fiscais federais.


