Washington, 30 (AE) - Robert Robbins, vice-presidente sênior da empresa de investimentos Robinson-Humphrey, de Atlanta, disse que o mercado tem seus humores. "Sexta-feira é melhor do que segunda e o verão é melhor do que o inverno", afirmou. O tradicional feriado nacional do Memorial Day, amanhã (31), marca o início do verão norte-americano.
Este ano, o feriado prolongado com o qual o país homenageia os soldados mortos nas guerras é uma pausa depois do pior mês de 1999 em Wall Street (o Índice Dow Jones caiu 2,1% em maio) e de uma semana de gangorra, na qual o mercado registrou duas quedas de mais de 100 pontos e uma de 235 pontos (a maior em oito meses) e deprimiu todos os mercados emergentes.
O Memorial Day de 1999 é também o prenúncio de um período de grande ansiedade na Bolsa de Valores de Nova York e, em consequência, nos mercados financeiros no resto do mundo.
Vários operadores previram sexta-feira que o comportamento do mercado nas próximas semanas será fortemente influenciado pela expectativa da próxima reunião - no último dia de junho - da Comissão Federal do Mercado Aberto, a instância do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que decide a política monetária.
A sinalização pública que o Fed fez há duas semanas sobre sua disposição de aumentar a taxa de juros diante de sinais de ressurgimento da inflação derrubou as ações dos setores de tecnologia e Internet em Wall Street e introduziu uma nova psicologia no mercado, que colocou um ponto de interrogação na continuação da fenomenal expansão que a economia norte-americana experimenta há oito anos.
Há, além disso, novos sinais de problemas nos mercados emergentes. Embora a crise de confiança que ronda a Argentina e seus reflexos no Brasil não tenham sido causas dos três grandes baques que Wall Street experimentou na semana passada, são elemento negativo a mais num quadro mais instável.
A médio prazo, a moderação da euforia que dominou o mercado norte-americano nos últimos tempos pode ser uma bênção, dizem alguns analistas. "Vemos o movimento essencialmente lateral que o mercado fez nas últimas semanas como benéfico - uma saudável consolidação", afirmaram os autores do boletim Outlook, da Standard&Poors, em sua última edição.
"Ele ajuda a evitar uma explosão danosa e dá tempo para diminuir um pouco o fosso que existe entre os resultados das empresas e o preço de suas ações, mas não vemos sinais de que a tendência subjacente de alta do mercado esteja prestes a se reverter."
Robert DiClemente e Mitchell Held, do banco de investimentos Salomon Brothers, concordam. "O Fed começou a preparar o cenário para um aumento de juros", afirmaram. "Apesar dos riscos de curto prazo, esse rumo pode prolongar a expansão, conter a inflação incipiente e sustentar os investimentos de longo prazo."
Em outras palavras, o Fed estaria empenhado em induzir uma correção administrada do mercado para evitar uma correção desestabilizadora, que abalaria a confiança dos consumidores e investidores na economia norte-americana e se espalharia instantaneamente pelo mercado global.
O problema maior é, de fato, o curto prazo, diz Michael Clark, do Credit Suisse First Boston. Para ele, o recuo do mercado em maio e as oscilações da semana passada refletem a absorção tardia, pelo mercado, de notícias ruins, como a renúncia do secretário do Tesouro, Robert Rubin, a mudança de orientação da política monetária do Fed depois do repique da inflação norte-americana em abril e relatórios desapontadores sobre os resultados de várias empresas com ações supervalorizadas na bolsa.
"O que o mercado precisa é prova de que estamos experimentando um período de crescimento no faturamento das empresas antes de vermos novos ganhos", disse Clark. "O problema é que não teremos essas notícias antes de julho."
Sem essas informações, Wall Street flutuará nas próximas semanas balizada pela expectativa de juros mais altos e pela publicação de indicadores econômicos que, conforme lembrou Rubin na semana passada, não são suficientes, quando tomados isoladamente, para se prever o rumo da economia.

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