Washigton, 29 (AE) - Se os analistas e operadores de Wall Street estiverem certos, o banco central dos Estados Unidos aumentará amanhã em 0,25 ponto porcentual a taxa de juro que cobra aos bancos norte-americanos overnight, puxando-a de 4,75% para 5%.
Espera-se, também, que o Federal Reserve (Fed), o BC dos EUA, mantenha o viés de alta dos juros que adotou seis semanas atrás. O anúncio é esperado para as 15h15, hora de Brasília, no segundo e último dia da reunião da Comissão Federal do Mercado Aberto (Fomc), do BC norte-americano, que se reúne oito vezes por ano para fixar o rumo da política monetária.
"O Fed vai aumentar os juros em 0,25 ponto porcentual esta semana e dar um sinal de que as taxas podem subir mais", disse Thomas Gallagher, diretor do ISI Group, ecoando avaliação unânime.
Confirmado esse modesto ajuste na taxa de juro nos Estados Unidos, o primeiro em mais de dois anos, persistirá uma dúvida: será ele suficiente para conter o ímpeto espetacular da economia americana, que cresce a um índice anual de mais de 4%, e prolongar a expansão, impedindo o superaquecimento que traria de volta as pressões inflacionárias?
"A questão é o potencial para inflação que existe (na atual situação)", disse na semana passada, William McDonough, o presidente do Federal Reserve de Nova York e único dirigente de um Fed regional que tem cadeira cativa na comissão que decide a política monetária.
Reforçando o temor de McDonough, algumas horas antes do início da reunião da Fomc, a Conference Board, uma firma de análise econômica de Nova York, informou que o ídice de confiança dos consumidores atingiu seu nível mais alto em mais de 30 anos, um indício de que a economia não deve desacelerar no futuro previsível.
Mas o próprio governo acrescentou uma informação no sentido inverso, anunciando uma forte queda de 5,1% no número de construções de casas novas, no mês passado. "A mensagem básica é de uma economia forte com uns poucos sinais de desaceleração, mas não vejo nada que diminua a probabilidade de um aumento de 0 25 ponto porcentual nos juros", disse David Sloan, economista da 4Cast, de Nova York.
Nos últimos dias, vários economistas indicaram que uma correção de até 0,75 ponto porcentual nos juros entre hoje e o fim de agosto já foi embutida no preço dos ativos pelos participantes do mercado de capitais. Isso significa, disseram esses analistas, que, tendo já absorvido o aumento dos juros, Wall Street poderá reagir ao aperto monetário exatamente como o Fed não quer, se concluir que o BC americano esgotou a correção dos juros, e entrar num novo período de euforia ou "exuberância irracional", para usar a expressão cunhada pelo presidente do Fed, Alan Greenspan.
Sintomaticamente, o Índice Dow Jones fechou hoje em alta, em 10.815.35, com um ganho de 160.20 pontos, ou cerca de 1,5%.
Para William Greider, jornalista e estudioso do Fed, autor do livro Secrets of the Temple: How the Federal Reserve Runs the Country, a possibilidade de o mercado continuar a subir depois da alta dos juros expõe a vulnerabilidade da estratégia monetária do BC norte-americano.
"O Fed está se preparando para dar uma martelada na economia para resolver um problema imaginário de inflação de preços, mas ignora as ferramentas de regulamentação que poderia usar para responder à verdadeira ameaça à atual prosperidade, que é a a perigosa bolha dos preços inflados das ações em Wall Street", escreveu.

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