São Paulo, 23 (AE) - O mercado de carros parou à espera da definição sobre a redução de preços que poderá acontecer a partir de amanhã com o acordo emergencial entre indústria, governo e trabalhadores. O volume de vendas acumulado este mês está entre 50% e 60% mais baixo do que em igual período de janeiro, segundo concessionários. Hoje à tarde haverá reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em Brasília, para analisar a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), uma das condições para o acordo ser firmado.
Na expectativa de o acordo emergencial ser fechado, as montadoras interromperam o faturamento. Ou seja, não estão faturando os carros para os concessionários, que também não reclamam porque ainda há estoques. Se o acordo for fechado, as partes terão de discutir como repassar a redução de preços para o estoque.
"Independentemente de o acordo sair ou não precisamos que nos digam logo", afirma o presidente da federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia. Segundo ele, pior do que a crise que vem se arrastando com aumento de impostos e mudança cambial é a expectativa que leva o cliente a adiar qualquer compra.
A Trans-Am, concessionária da General Motors instalada no Itaim, em São Paulo, passou o plantão de final de semana atendendo apenas consultas. "Ninguém quer fechar negócio sem ter certeza de que vai ser compensado se o preço baixar", afirma o superintendente da revenda, Carlos Antonio Contini. Segundo ele, a média de vendas dos últimos dias caiu para quatro veículos - um terço da média dos dias fracos já com a crise.
A concessionária Primo Rossi, da Volkswagen, registrou queda de 48% no volume de vendas acumulado este mês na comparação com igual período de janeiro. A queda no faturamento foi menor, segundo o diretor da concessionária, Vittorio Rossi Jr., porque a demanda por carros importados, mais caros, aumentou.
Houve, portanto, uma inversão de demanda. Os carros importados, que haviam sido afetados pela desvalorização cambial
estão sendo mais vendidos agora porque as montadoras mantiveram cotações mais baixas - R$ 1,29 no caso da Volkswagen. Já os carros nacionais - incluindo os populares - não são procurados porque o consumidor está esperando uma definição sobre redução de preços. O governador Itamar Franco está sendo apontado pelos vendedores de carros como responsável também pela parada no mercado de automóveis. Itamar ainda não se posicionou sobre a redução do ICMS em Minas Gerais, um dos três estados produtores de carros. Hugo Maia, da Fenabrave, acredita que o acordo poderá ser fechado até mesmo sem a participação do governador mineiro.
O acordo emergencial prevê a redução do IPI dos carros populares de 10% para 5%, e dos carros médios - de 25% e 30% - irá para 17%. As montadoras concederão um bônus de R$ 350 e de R$ 250, respectivamente para essas duas categorias de veículos; e os governos estaduais, por sua vez, se comprometeriam a reduzir o ICMS de 12% para 9%.
O acordo terá validade por 60 dias e o emprego na indústria será garantido por 90 dias. Com o acordo, será possível reduzir os preços dos automóveis entre 10% e 11%, na média. Amanhã as partes envolvidas voltam a se reunir para definir o acordo já com a posição do Confaz.

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