Mercado indefinido em semana cheia para o governo
São Paulo, 30 (AE) - O mercado de ações não apresenta uma tendência definida para a abertura desta segunda-feira. Operadores comentam a queda do C-Bond, título da dívida brasileira, no exterior, atribuída às declarações do governador do Rio de Janeiro, Antonhy Garotinho, ameaçando declarar moratória caso não chegue a um acordo com a União sobre a dívida estadual.
Na bolsa, há dúvidas sobre o impacto da notícia, pois considera-se que, ao contrário de Itamar Franco, o governador fluminense teria um perfil de negociador e as ameaças poderiam fazer parte de uma estratégia com vistas a obter melhores vantagens com a União. Além disto, as ações, assim como os ativos cambiais, também seriam uma alternativa de hedge em momentos de incerteza. E com uma vantagem: caso o cenário vire para melhor, as bolsas também são beneficiadas, ao contrário do dólar, que tenderia a cair. Neste sentido, mesmo que o dólar venha a ficar pressionado hoje (abriu praticamente estável há pouco), a bolsa não necessariamente teria que cair. A bolsa brasileira também pode ser afetada pelo mercado americano, embora, nos últimos dias, o cenário interno esteja prevalecendo sobre os negócios. A possibilidade de melhora no cenário também é considerada, embora ninguém ainda se arrisque a apostar. Amanhã, o governo tenta melhorar a imagem com o eleitor, anunciando o programa de investimentos "Avança Brasil". Com o investidor, o governo tenta reduzir as dúvidas sobre o ajuste fiscal com o anúncio do Orçamento do ano 2000.
No mercado, considera-se, contudo, que os trechos já conhecidos do Orcamento ainda são insuficientes para uma virada de cenário na bolsa e no câmbio. "O governo não poderá deixar dúvidas quanto à viabilidade do ajuste", comentou um analista. Se conseguir, poderá ter pavimentado o cenário para o Copom promover mais um pequeno recuo dos juros na reunião de quarta-feira, o que poderia animar a bolsa, embora também não se descarte a manutenção das taxas. (Josué Leonel)





